sábado, 16 de setembro de 2017

TERRA BRAZILIS : DESMORALIZAÇÃO DA FARSA A JATO E DA PGR E A BUSCA DOS GOLPISTAS PARA MANTER O REGIME DE EXCEÇÃO

O “carnaval” promovido pelo senhor Janot, um ator em final de cena e prestes a sair do espetáculo, não poderia ser mais dantesco. Com a exposição de que as delações da JBS foram feitas de forma escandalosa, com a inclusão de um procurador nessa lama, o senhor Janot resolveu buscar desviar os olhares para outro alvo, e no caso ninguém mais apropriado do que o ex-presidente Lula e o seu partido, o PT, para criar essa cortina de fumaça.

 Por Wellington Duarte – Economista, professor da UFRN e presidente estadual da CTB/RN

A descoberta, que alguns dizem que a Polícia (sic) Federal sabia há muito, num apartamento de um certo bufão do PMDB, braço direito do Traidor Temer, que em 2015 sai às ruas, com transmissão da Globo, para engrossar as manifestações contra Dilma, a favor de Cunha e bradando contra a corrupção, uma dinheirama que passa dos R$ 50 milhões, em espécie, não teve a atenção devida dos meios de comunicação, preocupados em ajudar a cortina de fumaça a não “afetar” o escândalo que envolve a PGR.

E o senhor Moro, um juizeco tucano metido a Inquisidor Vestal, encenou mais uma delação, com um derrotado e alquebrado Palocci, antigo membro do alto escalão do PT, cuspindo veneno contra o “grande Satã” Lula, num espetáculo deprimente para o Judiciário brasileiro, aprisionado por essa camarilha que destruiu a indústria do país, causando mais de 6 milhões de desempregados, numa espécie de “guerra santa”, que de “santa” nada tem, contra a corrupção, embora seus principais generais não se importem em vender palestras descaradamente ou se vejam envolvidos em esquemas nebulosos com a APAE do Paraná. A grande cena serve ao Golpe.

 A “grande solução” dos golpistas é continuar a devastação do Estado brasileiro, entregando seus últimos ativos aos estrangeiros e criar um “ambiente controlado” para que se dê a impressão de que os “mecanismos da democracia” continuam funcionando “perfeitamente”, como dizem os enfadonhos e pouco úteis ministros do STF, que aliás nunca serviu para lutar pela democracia, basta ver como foi em 1964. O tal “ambiente controlado” implica em criminalizar os movimentos sociais; criar travas para que os servidores públicos não possam fazer greves; destruam os sindicatos via reforma trabalhista; e criem um monumental “exército de reserva”, silencioso por estar completamente à mercê do Capital e, portanto, à sua disposição.

A maior cartada dos golpistas é neutralizar Lula e isso já está em pleno andamento pois os indícios de que o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF-4) irá confirmar a pena de Moro, embora os juristas e constitucionalistas sejam quase unânimes em dizer que a tal “peça” do Inquisidor é um escândalo. O presidente do TRF-4, Thompson Flores, já se antecipou puxando o saco de Moro, tecendo altos elogios a um documento que confessa que não leu. Lula está condenado e é bom a Esquerda ir se preparando para este cenário.

Um outro campo é a reforma política cujo discurso, agradável ao senso comum, é possibilitar ao eleitor votar no “seu” candidato, deixando em segundo plano os partidos, daí a defesa do tal “distritão” uma espécie de “feudão” moderno, que eternizaria os coronéis, os oligarcas e os seus apaniguados nas diversas instâncias de representação.  Até os liberais se assustaram com essa proposta.

As pessoas “comuns” pode não saber, mas 124 dos 513 deputados já mudaram de partido desde 2015 e já ocorreram 168 modificações até recentemente e os golpistas, junto com a Globo utilizam esses números e mais a falsa discussão sobre o Fundo Partidário, para empurrar goela a baixo um sistema eleitoral que preserve os golpistas e fulmine a representação dos últimos bastiões da Esquerda (PT, PCdoB e PSOL), que hoje, somadas, não chegam a 80 deputados.

A montagem de um tabuleiro controlado, num regime de exceção travestido de “democracia”, e com as canalhices dos diversos figurões do “new” regime enchendo as telas dos noticiários, enquanto a economia produz desempregados, miséria e desordem social, é a forma com o qual contam os golpistas para manter o silêncio cúmplice da classe média, agora satisfeita com o impedimento da ascensão “dos de baixo”, que ameaçava seu “campo social”; e manter a desorganização nas camadas mais baixas da pirâmides, assoladas pelo desemprego e sem perspectivas para um futuro próximo.

A Esquerda, ainda buscando a melhor forma de construir uma frente ampla, é lenta na combinação de forças, exatamente pela diversidade tática, está na defensiva e se mexe de acordo com as ações dos golpistas, embora a Caravana de Lula tenha mexido com os brios dela, ainda não é o lance mais ousado.

E vivemos na Terra Brazilis, onde a República dos Ladrões instalou o “Esculhambaquistão”.

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