quinta-feira, 4 de maio de 2017

REDES SOCIAIS PODEM CAUSAR DEPRESSÃO?

O exibicionismo propagado nas mídias criou uma geração vazia, cheia de inveja e outros sentimentos

O processo de globalização encurtou distâncias e isso ninguém pode negar. É muito fácil se comunicar por meio de vídeos, sites e aplicativos com pessoas que estão do outro lado do País, por exemplo. Com as redes sociais, é possível até mesmo saber sobre a vida do outro sem precisar conversar diretamente com ele. Basta olhar fotos e fatos compartilhados. Parece divertido, mas isso pode trazer consequências.

Um estudo realizado na Universidade de Pittsburgh com aproximadamente 2 mil adultos, com idades entre 19 e 32 anos, afirma que o mundo on-line é extremamente ilusório e pode ser muito prejudicial. A pesquisa concluiu que quanto mais tempo se passa navegando nessas plataformas, maiores são as chances de desenvolver depressão e isolamento social.

“Somos criaturas sociais, mas a vida moderna tende a nos isolar, em vez de nos aproximar. Apesar de as redes sociais aparentemente criarem oportunidades de socialização, o estudo aponta que elas não têm o efeito que esperamos”, afirmou o líder da pesquisa, Brian A. Primack, diretor do Centro para Pesquisas em Mídia, Tecnologia e Saúde da Universidade de Pittsburgh, em entrevista publicada pelo periódico American Journal of Preventive Medicine.

Os pesquisadores sugerem também que esse tipo de acesso pode despertar sentimentos negativos, como a inveja. E não é difícil entender o motivo. Ver amigos se divertindo nas fotos, pessoas aparentemente bem-sucedidas na vida amorosa e profissional, colegas viajando o mundo, entre outros, são exemplos clássicos de atitudes que fazem com que a pessoa que está do outro lado da tela se sinta um zero à esquerda.

Use as mídias a seu favor

Esse impacto ocorre porque o internauta sempre busca passar uma imagem positiva, seja para enaltecer o próprio ego, transmitir a mensagem de que está melhor do que o outro ou apenas para socializar. É claro que muitas pessoas acessam essas plataformas com boas intenções, mas se elas não forem usadas corretamente, tanto por quem compartilha quanto por quem visualiza, o efeito pode ser trágico.

Em que momento o uso da rede pode se tornar perigoso? Quando é grande a necessidade de mostrar a todos como é sua vida ou quando o interesse pela vida do outro se torna exagerado. Isso pode indicar um apelo inconsciente por aceitação. Será, então, que essa postura on-line não é apenas o reflexo do que há no interior de cada um? O que há no seu interior?

Não há problemas em publicar imagens, textos nem em visualizá-los. Mas é preciso fazer isso com consciência e racionalidade. Vale a pena mostrar uma realidade diferente da qual você vive, sentir ciúme ou desejar estar no lugar do outro? Ou se entristecer ao visualizar a alegria alheia?

A internet é benéfica quando usada de forma inteligente. Afinal, de que adianta estar conectado com pessoas de outros países, bisbilhotar a vida dos famosos ou de colegas e nem sequer cumprimentar o familiar que mora na mesma casa?

Por isso, não se iluda com o que vê nem tente passar uma imagem diferente daquilo que você é. O contato presencial, olho no olho, ou seja, a vida real, mesmo com seus problemas, questionamentos e dilemas, ainda é a melhor conexão que pode existir.

Por Ana Carolina Cury /edição 1308 Folha Universal

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