segunda-feira, 22 de maio de 2017

OS REAIS PERIGOS DO TRÂNSITO

Só no Brasil cerca de 45 mil pessoas morrem por ano em acidentes com veículos terrestres. Entenda por que isso acontece

Você já deve ter visto pelas ruas e na mídia a existência de um movimento chamado Maio Amarelo. É uma ação promovida pelo Poder Público e pela sociedade civil para diminuir os índices de acidentes no trânsito no Brasil e em outros países. A diferença é que, desta vez, os organizadores tentam não ficar só na teoria com mais uma campanha inócua, mas discutir a fundo o assunto para conscientização real de um mal de proporções mundiais. Além disso, seu objetivo é pedir atitudes práticas não só das autoridades, mas de todos os cidadãos, estejam eles na direção de um veículo ou a pé.

Já que falamos em atitude, qual é a sua em relação ao trânsito nosso de cada dia? Infelizmente, muitos se indignam ao ver manchetes de acidentes, vídeos de flagrantes de pessoas sem noção ao volante, ao guidão ou mesmo atravessando a rua fora das faixas de pedestres ou passarelas – e todos desobedecendo à sinalização. Não é raro quem nem mesmo pense no assunto e até se ache certo, mas que também faz besteira, ainda que sem intenção.

Índices do perigo

Segundo instituições conceituadas como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro, o Brasil atinge níveis vergonhosos quando a questão é segurança no trânsito. Em nosso país morrem todo ano, em média, 45 mil pessoas em acidentes com veículos terrestres. No mundo, 1,2 milhão de pessoas perdem a vida pelo mesmo motivo.

O Brasil também está em quinto lugar no ranking dos países com mais vítimas de acidentes de trânsito – perde apenas para Índia, China, Estados Unidos e Rússia – quase sempre devido à imprudência, ao excesso de velocidade e ao pouco ou nenhum respeito às leis. A intolerância e a impunidade também contribuem para aumentar esse tipo de violência.

Os feridos no tráfego diário são mais de 376 mil no território nacional. E cerca de 55% dos leitos de hospitais são ocupados por acidentados no trânsito. A OMS estima que mundialmente 60% deles causem danos permanentes à saúde.

Os índices de acidentes não têm relação com a quantidade de veículos. A OMS aponta que os países em desenvolvimento concentram 90% das vítimas fatais no trânsito mundial, apesar de apenas 54% dos automóveis estarem em seus territórios. Já em nações com regras mais rígidas – e mais obedecidas – , como Reino Unido, Holanda e Suécia, os mortos são menos de 4 para cada 100 mil habitantes anualmente. É mais uma questão ligada às pessoas e às suas atitudes do que ao equipamento.

Causas insuspeitas

Imprudência, imperícia e negligência continuam a ser as maiores causas de acidentes no tráfego. A frouxidão das autoridades em alguns locais gera a certeza da impunidade, o que torna tudo mais perigoso pelo óbvio egoísmo de quem acha que seu direito é maior que o dos outros, mesmo que terceiros fiquem em perigo por isso.

Contudo, as causas das tragédias talvez não sejam tão óbvias e podem dizer respeito a coisas que acontecem no seu dia a dia, leitor. Quer saber como? De acordo com a empresa de pesquisas norte-americana ORC International, 76% das pessoas confessaram maus hábitos ao volante que, embora pareçam inofensivos, já resultaram em acidentes fatais. Entre eles estão apartar brigas de filhos (26%), apagar ou acender cigarro (22%), usar notebook (21% faz isso, embora pareça absurdo), conversar com alguém (18%) ou falar ao celular (13%).

Publicado em edição 1311 Folha Universal

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