segunda-feira, 15 de maio de 2017

ARTIGO | E SE O BRASIL VOLTAR A CRESCER?

"Na reforma da Previdência, eles mentem quanto ao 'rombo' e propõem que a gente trabalhe até morrer"

por Marcones Oliveira* No Brasil de Fato

É comum ler nos discursos de defesa das reformas do governo ilegítimo de Temer a justificativa da importância de aprová-las para que o Brasil volte a crescer. Criar as bases para que o país cresça de maneira sólida, é o que dizem os defensores dessas reformas.

A discussão atual gira em torno das reformas trabalhista e da Previdência. Vamos direto ao ponto. Quando falam em “modernizar” e “flexibilizar” as relações trabalhistas, traduziremos com uma só e dolorosa palavra: precarização. Na reforma da Previdência eles mentem quanto ao “rombo” e propõem que a gente trabalhe até morrer. São medidas que fazem parte de uma agenda neoliberal e, segundo eles, necessárias para o Brasil voltar a crescer.

Voltar a crescer? Vocês lembram da tal da PEC 241? É aquela que congela os investimentos públicos em áreas importantes como saúde e educação durante 20 anos. Quer dizer que o país pode bater recordes de crescimento econômico que isso não significa aumentar investimentos para a melhoria e criação de escolas ou hospitais.

Então quem ganha com isso? Se o Brasil voltar a crescer, os grandes empresários e banqueiros vão ganhar e muito! Esse cenário foi montado com panelas, camisas do Brasil, pato gigante, cobertura midiática e apoio jurídico, sustentou o golpe contra a presidenta Dilma e hoje cobra uma conta bastante alta cortando os nossos direitos para que eles lucrem ainda mais. Com isso aumenta a pobreza, a desigualdade e, como consequência, a violência.

Ainda que eles tentem provar o contrário, a gente sabe que está tudo errado, que nada disso será bom para os trabalhadores. Mas não podemos perder a esperança. A Greve Geral do dia 28 de abril deixou um recado bem claro: sem nós, esse país não anda. E será para nós que esse país deve voltar a crescer! Para isso é necessário ampliar a unidade em todos os setores da classe trabalhadora. Nos sindicatos, nos movimentos, nos bairros, nas comunidades, nos campos de futebol, nos bares (por que não?), nas praças, em todos os lugares! Somente assim, construindo a força do Projeto Popular, reverteremos esse cenário e construiremos uma sociedade, de fato, mais justa.

Já dizia Belchior:
“o que transforma o velho no novo,
bendito fruto do povo será”

*Marcones Oliveira é geógrafo e militante da Consulta Popular.

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