domingo, 12 de março de 2017

TROCAMOS UM PRESÍDIO POR ESCOLAS, EMPREGO E DESENVOLVIMENTO HUMANO, ECONÔMICO E SOCIAL

Por Antônio Neves

O assunto do momento é a construção de um novo presídio pelo Governo do Estado, novamente na região do Seridó, uma região que continua vivendo de migalhas, padece de políticas públicas concretas para o desenvolvimento social e econômico de homens e mulheres, onde parte da sua juventude, a cada dia, sente-se mais atraída pelo crime organizado; enquanto isso, a população, ignorante e passiva no seu papel mobilizador e reivindicatório, entra na onda e vai pra cima do Governo para que tal presídio não seja construído, nem aqui ou em lugar nenhum. Porém, nenhuma outra discussão sobre a extensiva e complexa pauta político-administrativa de ações governamentais amplas para a região tem a mesma repercussão que esse manipulado debate sobre onde o novo presídio deve ser construído.

A região do Seridó, principalmente seus pequenos municípios, que mais parecem uns feudos de poderosos senhores donos do Poder, continua esquecida, recebendo investimentos paliativos e condicionada a uma pobreza estrutural de longas datas, seus verdadeiros problemas e reais soluções são sempre jogadas para debaixo do tapete da omissão, para ressurgir somente a cada nova eleição, quando surgirão candidatos prometendo o que já se promete há décadas e a realidade nunca muda, a não ser a violência que assume proporções alarmantes, onde a única alternativa encontrada pelo conservadorismo governamental é potencializar o braço armado do Estado para vigiar, punir e vez em quando, matar, aqueles que em nenhum momento conseguiu proteger.

Esta hipócrita e incompetente classe política governamental do Rio Grande do Norte e consequentemente do Seridó, há décadas devia ter coragem de colocar a cara à tapa e reconhecer que, se a criminalidade no estado e na nossa região aumentou vertiginosamente nos últimos anos, é porque jovens e adultos não tiveram as devidas oportunidades de desenvolver suas potencialidades criadoras e socialmente construtivas, a não ser a de escolher entre continuar excluído de direitos ou encarar a marginalidade que lhes bate a porta de forma tentadora, prometendo conquistas materiais e financeiras com certa “facilidade” já que seus familiares e o Estado não lhes possibilitaram.

O Seridó é uma das regiões do Brasil que mais fechou escolas públicas nos últimos anos e está entre as que mais exportam mão de obra barata para o Sul e Sudeste do país, (inclusive para fazendas de trabalho escravo e semiescravo), acumula altos índices de exploração sexual de crianças e adolescentes, sem falar no decrescente número de vagas em postos de trabalho e geração de empregos. Isso se dá exatamente porque a região é deficiente em políticas sociais, econômicas e estruturais que dê respostas ao desemprego, ao analfabetismo funcional, a falta de capacitação técnica e aprimoramento de mão de obra qualificada para jovens em idade economicamente ativa para adentrar nos mercados de trabalho em suas próprias cidades e que consigam, com isso, livrarem-se do caos social violento a que estamos submetidos por causa do descaso e do abandono. Ignorando este cenário, torna-se mais fácil construir presídios, manter o Estado autoritário, violento e repressor, negar direitos e violar os direitos humanos, do que cuidar com investimentos sérios, de um povo que só está querendo uma oportunidade de viver dignamente.

Os presídios, em consequência desse estado de abandono e exclusão são um mal que também precisa existir; onde vai ser construído é apenas um detalhe que deve ser bem compreendido para que não ampliemos, por desconhecimento e ignorância das suas causas, consequências e intensões, o alto e agravante quadro de exclusão e violências já existentes que afetam, sempre, os mais pobres e excluídos, pois é bom lembrar que os que lá estão presos e encarcerados, são os filhos e filhas de homens e mulheres simples e do povo, na sua maioria jovens e negros que, por motivos diversos são tão vítimas, quanto reféns da realidade cortante e perturbadora que agora, alienados de nossos direitos e valores, nos sentimos obrigados a lhes dizer NÃO.

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