segunda-feira, 6 de março de 2017

SAÚDE: FIQUE LONGE DO REFLUXO

Entenda quais as formas de evitar e combater o problema

Estima-se que cerca de 20% dos brasileiros sofram com azia e a clássica sensação de queimação provocada pelo refluxo. Também conhecida como refluxo gastroesofágico (DRGE), a doença do sistema digestivo é caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, processo que ocorre quando a “válvula” ou o esfíncter esofágico inferior falha.

O alimento é mastigado pela boca e, em seguida, enviado para a faringe e o esôfago até chegar ao estômago. Nas pessoas que sofrem com o refluxo, o alimento, que entra em contato com o ácido produzido pelo próprio estômago, faz o caminho inverso e entra em contato com as paredes sensíveis que revestem o esôfago, causando irritação e inflamação.

O problema não deve ser ignorado, como diz o gastroenterologista Ricardo Jureidine, professor livre docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e médico do Hospital Moriah, de São Paulo.

Para ele, quando a pessoa tem suspeita e apresenta sintomas, é importante ir ao médico para fazer o diagnóstico. “A avaliação sempre começa com a endoscopia, que visualiza a área do esôfago e classifica a gravidade do refluxo. A partir daí, se dá o tratamento. Medidas comportamentais e medicamentosas resolvem o problema”, relata.

Veja abaixo como identificar e lidar com esse desconforto. As orientações foram dadas pelo doutor Ricardo Jureidine.

Sintomas

A azia é o sintoma mais comum, mas não é o único. A sinusite também pode ser um deles. “Às vezes, o refluxo é intenso durante à noite e pode atingir os seios da face. Sintomas respiratórios, como tosse e episódios de pneumonia (por causa da aspiração noturna), irritação na garganta e nas cordas vocais também podem ser notados”, explica o médico. Apneia do sono, dificuldade para engolir, alteração na voz e perda de esmalte dentário ligado ao refluxo intenso podem ser igualmente observados.

Diagnóstico

Exames são fundamentais para que o diagnóstico seja feito. A endoscopia, que avalia os danos provocados no recobrimento do esôfago pelo ácido do próprio estômago, raio-X e pHmetria 24h são os mais comuns. “A pHmetria mede a acidez do esôfago”, esclarece o médico.

Tratamento

É preciso cuidar da alimentação e evitar uma dieta rica em gorduras. “Alimentos gordurosos fazem a musculatura fechar mais lentamente”, explica o médico. Chocolate em excesso, comida apimentada, café, bebidas alcoólicas, refrigerantes e líquidos durante as refeições aumentam o conteúdo gástrico e, consequentemente, o refluxo. Vale atentar para o peso, pois a obesidade é uma condição que aumenta a incidência da doença. Também existem remédios que podem diminuir a produção de ácido do estômago e que devem ser prescritos pelo médico.

Falta de tratamento

Quando a pessoa não faz o tratamento, ocorre uma descamação intensa do esôfago. A consequência é a ocorrência do famoso "esôfago de Barret", quando acontece uma mudança nas células do revestimento do próprio órgão. “É uma tentativa de reparar uma agressão de tantos anos”, comenta o médico. Ele esclarece que isso pode se tornar uma condição pré-maligna. Por esse motivo, o diagnóstico e o tratamento adequado são tão importantes.

Por Flavia Francellino / Foto: Fotolia/ edição 1300 Folha Universal

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