terça-feira, 14 de março de 2017

REFORMA DA PREVIDÊNCIA AFETARÁ PRINCIPALMENTE POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA

O economista Flávio Tonelli Vaz destaca que a reforma tende a afetar sobremaneira a população de baixa renda, em especial a parcela residente nas cidades de menor porte. “A Previdência social é o maior instrumento de distribuição e interiorização da renda no país. Com a PEC, quem vai perder mais são principalmente os mais pobres, que estão também nesses menores municípios”, ressalta.

Segundos dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), dos 33,8 milhões de benefícios pagos atualmente, cerca de 22,2 milhões são para pessoas que recebem um salário-mínimo, cotado em R$ 937. Do total de benefícios ativos, 10 milhões são para aposentados por idade; 5,2 milhões para aposentados por tempo de contribuição; e 3,1 milhões para pessoas que recebem o benefício por invalidez previdenciária.

Num raio X regional, os dados demonstram que a maior parte dos benefícios é paga no Sudeste (44%), no Nordeste (27,40%) e no Sul (17,4%) do país.

“Muitos dos pequenos municípios dessas regiões não têm nem renda própria, não têm máquina administrativa pra fazerem cobrança de IPTU porque, se o prefeito cobra, ele perde voto, já que há um vínculo muito próximo dele com o cidadão. Com isso, o grande dinheiro que circula é o que entra na casa dos idosos pela Previdência”, completa Maranhão, que é auditora fiscal e há mais de 30 anos estuda temas previdenciários.

A presidente destaca ainda que a redução do rendimento dos idosos tende a penalizar todas as famílias nas diversas regiões do país, num efeito em cadeia. “Essa reforma prejudica uma população que já é muito sofrida, até porque acima dos 50 anos é muito difícil alguém conseguir emprego. Se a PEC passar, como a Previdência não vai sustentar os idosos, quem vai precisar arcar com todas as despesas deles são os demais familiares”, explica.

Por Cristiane Sampaio, do Brasil de Fato

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