segunda-feira, 13 de março de 2017

PROTESTOS DO DIA 15 CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA GANHAM FORÇA

Os atos são iniciativa conjunta das Centrais de trabalhadores e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Estão programados para acontecer em todas as capitais brasileiras e em diversas outras cidades.

Na opinião de sindicalistas e lideranças do movimento social, os atos desta quarta-feira (15) contra o projeto de reforma da Previdência Social de Michel Temer serão expressivos e podem ganhar a adesão do cidadão comum. Para dirigentes, parcelas da sociedade que não fazem parte de movimentos organizados começam a se preocupar com a aposentadoria - o que deve fortalecer os protestos do dia 15.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos afirmou, em entrevista ao portal Vermelho, que o MTST deve comparecer ao ato da avenida paulista, em São Paulo, nesta quarta com cerca de 25 mil militantes.

“Vai ter bastante gente não só em São Paulo mas em todo o Brasil. Toda a mobilização está bem expressiva. Muitas categorias vão fazer paralisação. Da parte do movimento (MTST) existe uma clareza de que é preciso fazer encaminhamento mais amplo, que é a defesa da Previdência Social”, explicou Boulos.

O projeto de reforma da Previdência Social apresentado por Michel Temer tramita em comissão especial da Câmara dos Deputados através da Proposta de Emenda Constitucional 287/2016. Na opinião de sindicalistas, economistas, parlamentares e trabalhadores, a iniciativa de Temer acaba com a possibilidade do brasileiro se aposentar.

O governo Temer defende a adoção da idade mínima de 65 anos para homens, mulheres, trabalhadores rurais e urbanos. Em 19 cidades brasileiras, a expectativa de vida é de 65 anos, ou seja, muitos trabalhadores sequer estarão vivos quando chegar à idade de se aposentar. Os mais penalizados serão os mais pobres que entram mais cedo no mercado de trabalho.

Adesão da população

No caso dos trabalhadores rurais, que trabalham mais de 41 anos para ter acesso à aposentadoria de um salário mínimo, a reforma de Temer é perversa. Carlos Gabiatto, secretário de Assalariados(as) Rurais e de Políticas Sociais na área da Previdência Social da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Paraná (Fetaep), observou que à medida que a população tem contato com o projeto tende a aderir aos protestos.

“Vi com alegria quando estivemos, na semana passada, em Maringá, Curitiba e Cascavel e vi a participação da população no comércio, carros buzinando em apoio à manifestação contra a reforma da Previdência. Estamos ganhando adesão”, disse Gabiatto. Ele lembrou que a expectativa de vida do trabalhador do campo é menor do que o do trabalhador da cidade.

O alegado déficit da Previdência que é o argumento do governo para a reforma é contestado pelas entidades de trabalhadores rurais. Documento da Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (Contag) afirma que a Previdência Rural “produz melhoria na qualidade de vida de várias famílias do campo”. Também fortalece o comércio de mais de 70% dos municípios brasileiros.

Por Railídia Carvalho

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