domingo, 26 de março de 2017

MANIFESTAÇÕES EM DEFESA DOS DIREITOS: É PRECISO RADICALIZAR A DEMOCRACIA PARA NÃO MORRER AGARRADO A INGÊNUA ESPERANÇA

Sem radicalizar a democracia todas as reformas anti-povo passarão sem maiores constrangimentos no Congresso Nacional
Por Antônio Ojuara

Sair às ruas pra protestar, gritar palavras de ordens tipo: Fora Temer, agitar bandeiras de partidos, tirar fotos e curtir nas redes sociais, pode até aparentar um clima de unidade, movimento e enfrentamento em defesa dos direitos, mas é lerdo engano, tudo isso é pacífico demais para reverter o gravíssimo quadro de desmonte da Nação que está em curso a toque de caixa. A extrema direita golpista já percebeu qual o limite dessas manifestações, sabe que não correm maiores perigos e entendem, despreocupadamente, até onde essa reação popular pode ir.

Não será essas manifestações pacifistas, ancoradas numa falsa “ordem pública” que despertará nos atuais membros do Congresso Nacional (deputados e senadores) e do governo golpista de Temer, a “sensibilidade” que eles precisam ter para recuarem na ofensiva reformista em andamento. Obviamente, ao perceber para o que realmente serviu o golpe, o povo luta para compreender a merda que fez ao ter apoiado (via Rede Globo e CIA) o impitmam contra a presidenta Dilma acreditando no falacioso discurso de que seria pra acabar com a corrupção e a crise. A corrupção continua galopante em todas as três esferas da República e outros departamentos, e a crise se aprofunda, mesmo sendo maquiada com propaganda governamental enganosa paga com dinheiro público.

Os movimentos social e sindical, mesmo mantendo seu protagonismo de vanguarda em defesa da classe trabalhadora, se mantêm dentro da ordem estabelecida pelo Estado Democrático de Direito, isso mesmo, esse mesmo Estado de Direito que o juiz federal Sérgio Moro cuspiu em cima quando impôs suas arbitrariedades jurídico-seletivas em nome de uma parcialidade a tempo denunciada pelos mais sérios juristas comprometidos com a ética, não só na política, mas na funcionalidade democrática e transparente do Poder Judiciário e do Ministério Público. As manifestações até então realizadas, mesmo com a pressão das ruas, não causará maiores arranhões aos que hora “cagam” na democracia e violam direitos do povo. Temer e seus fascistas não cairão de livre e espontânea vontade, será preciso bem mais do que gritos de “Fora Temer” para tirá-los do Planalto.

O desafio para os movimentos popular e sindical é maior do que imaginam as multidões que nos últimos meses têm frequentado a Avenida Paulista e outras praças importantes do país para defender a democracia e os direitos trabalhistas e sociais; a história tem mostrado que as elites dominantes brasileiras sempre foram indiferentes às massas e terminam impondo o que querem e como bem querem. Um exemplo recente da nossa história foi nas Diretas Já, em 1985, quando o povo queria votar pra presidente e o Congresso, ignorando o clamor das ruas, elegeu Tancredo Neves pela via indireta, deu posse a Sarney (PMDB) através de um golpe branco e ignorou a vontade popular. Prevaleceu o pacto das elites com o Capital. Qualquer semelhança com fatos e acontecimentos de agora, não é mera coincidência!

Agora a crise é bem maior, e a luta de classes mostrou seu roteiro. O país vive um novo ambiente de golpes institucionais, manipulações políticas, manobras judiciais seletivas e ideológico-midiáticas que atentam contra direitos duramente conquistados, e não haverá salvação se o povo e a classe trabalhadora não radicalizar a democracia, assumindo sem medo a desobediência civil, boicotar serviços, mercadorias e o consumo, para ferir diretamente a produção e o lucro do Capital, principal patrocinador do golpe em curso. É preciso intensificar as ocupações as instituições, sitiar o Congresso, parar o país com uma verdadeira GREVE GERAL nacional, não existe dois caminhos nesta batalha, escolha o seu, pois se a luta é nas ruas, os ratos se escondem e tramam contra o povo nos palácios e gabinetes, sob a proteção de suas togas e foros privilegiados, agem por trás das câmeras e só mostram ao povo o que lhes interessam. Precisamos tirá-los de lá, expô-los a verdade popular e condicioná-los ao julgamento da História.

Ao contrário disso, sem resistência conjunta e firme para além dos gritos agonizantes dos ingênuos, logo veremos a terrível noite escura que começa a se formar sobre a Nação para assombrar por muito tempo os que acreditam dormir eternamente em berço esplêndido.

Avante!

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