terça-feira, 21 de março de 2017

FILHO DE PEIXE, PEIXINHO É?

Nem sempre. Um dos maiores desafios dos filhos é definir as bases que formarão seu caráter

Em uma família, o correto seria os filhos seguirem o exemplo dos pais e tê-los como referência de caráter. Mas a verdade é que o comportamento e a postura que alguns pais tiveram na infância dos pequenos ou ainda têm diante deles, agora adolescentes, deixam a desejar e colaboram de forma negativa na formação moral deles.

É muito comum que jovens e até adultos justifiquem suas atitudes e seus comportamentos por conta das falhas dos pais ou no que aprenderam com eles. Ninguém está livre de vivenciar erros e acertos dos familiares. Entretanto, é necessário ter maturidade para não se deixar influenciar por aquilo que não serve para você ou para a nova família que construiu.

A psicóloga Isabelle Tortorella Carneiro, do Instituto de Psiquiatria da USP, explica que é importante os pais mostrarem com naturalidade essas situações. “Expor aos filhos que são passíveis de erros desmistifica a ideia de pais perfeitos e evita grandes expectativas e frustrações. Os pais não nascem pais, eles aprendem com os filhos a ser, portanto, precisam conversar, assumir os erros e pedir desculpas. Também é preciso que os filhos compreendam que os pais são indivíduos com um passado e um histórico de vida.”

Assumir a própria vida

Alguns filhos levam para a fase adulta a errônea ideia de que os pais são os responsáveis por tudo que dá errado em suas vidas. No entanto, “as justificativas para nossos sucessos estão nas nossas escolhas. O que explicaria o fato de pessoas que nem conheceram os pais serem bem resolvidas profissional, amorosa e espiritualmente? Culpar os pais nada mais é do que criar desculpas para suas frustrações e incapacidades, assumindo o papel de vítima perante a sociedade”, diz a psicóloga.

Ela orienta que o jovem precisa descobrir sua autoconfiança e aprender a encarar a vida como um indivíduo que pensa e toma suas próprias decisões. “Nada o impede de ter os pais como modelo a ser seguido, mas que ele tenha consciência de que suas decisões causarão consequências boas ou ruins e que os pais são meros coadjuvantes na linha de tempo dos filhos. É necessário reconhecer suas limitações, se reerguer e buscar novos objetivos.”

Mas o que fazer se a esposa não é como sua mãe? E se o seu chefe tem princípios contrários aos que seu pai lhe deu? “As pessoas são diferentes umas das outras. Os valores aprendidos na sua família de origem serão distintos, mas não piores nem melhores do que os que o marido, a esposa, os amigos e os chefes têm. Lidar com as diferenças e saber dialogar é o melhor a fazer para conviver em harmonia, uma vez que buscar o crescimento pessoal na diferença em relação ao outro é um caminho enriquecedor para o autoconhecimento”, destaca Isabelle.

Não se pode voltar no tempo e corrigir o passado, mas é possível conversar e mostrar aos filhos sua visão atual sobre determinados assuntos. Procure estar sempre próximo deles, continue orientando-os, mas sem pressioná-los.

Por Débora Vieira / Foto: Fotolia pais e filhos edição 1302 Folha Universal

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