segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

JOVENS CONSUMISTAS

Jovens tem sido reflexo do consumismo desenfreado nos tempos atuais. Entenda por que isso acontece e qual é a importância de formar consumidores responsáveis

Andar em um shopping sem sair com uma sacola é um grande desafio na vida dos adolescentes de hoje. A necessidade de usar roupas de marca e ter os mais modernos aparelhos eletrônicos caracterizam uma geração consumista marcada pela forte influência publicitária que quer embutir na sociedade que o ter é mais importante do que o ser.

As pesquisas deixam isso mais claro. Segundo um estudo do Serasa Experian, que mapeia a inadimplência no Brasil, os jovens estão mais endividados do que os idosos. A Associação Comercial de São Paulo revela que 67% dos inadimplentes têm menos de 35 anos e 24% têm entre 26 e 30 anos. Outro dado preocupante foi divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e afirma que 70% dos jovens da América Latina se interessam por compras.

Para a economista e educadora financeira Janile Soares, todos esses números mostram que não há educação para o consumo. “Com os avanços da tecnologia, a facilidade para comprar se tornou ainda maior, uma vez que é possível fazer isso pela internet, por exemplo, com apenas um clique. Os jovens também têm acesso ao crédito sem necessidade de comprovação de renda nem de patrimônio (no caso de universitários) e desconhecem as taxas de juros”, explica.

Alvos fáceis da mídia, aliados à falta de consciência financeira estão os estímulos publicitários.

“Um dos grandes alvos do comércio são as crianças e os adolescentes. As propagandas nas mídias utilizam vários recursos para instigar esse perfil de consumidor. Há, inclusive, uma discussão muito forte a respeito do marketing voltado ao público infantil. Em alguns Estados da Noruega e da Suécia, por exemplo, há uma legislação para proibir propagandas voltadas ao público infantil”, revela a economista.

Assim, os blogs, os sites de moda e as lojas virtuais ganham públicos fiéis. De acordo com análise da agência norte-americana ComScore, aproximadamente 80% dos adolescentes online entre 12 e 17 anos visitam sites de varejo e estão acostumados com as facilidades de comprar via web.

Os anúncios prometem para aqueles que adquirem os produtos satisfação pessoal, beleza e felicidade, mas, a verdade é que se não houver equilíbrio no consumo o que seria para trazer realização trará tristeza. “O consumismo compulsivo traz muitos prejuízos às pessoas, como gastos excessivos sem necessidade, acúmulo de objetos em casa, brigas com familiares, aumento da ansiedade, depressão, isolamento social, entre outros”, acrescenta Janile.

Neste cenário, entra a importância da presença dos pais para orientar e instruir os jovens a não exagerar nos gastos. “A família tem um papel muito importante, seja ensinando a respeito do consumo consciente, seja apoiando no tratamento das questões psicológicas. Ao perceber as tendências consumistas dos filhos, os responsáveis devem procurar auxílio e verificar o que está por trás dessa necessidade”, analisa a economista.

Por Ana Carolina Cury / edição 1297 Folha Universal

Nenhum comentário:

Postar um comentário