segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A TEMIDA MENOPAUSA

Embora muitas mulheres desconversem, este é um assunto do qual não dá para fugir

A complexidade de ser mulher envolve muitas questões e não estou falando do fato de muitas experimentarem tudo o que há no guarda-roupa antes de sair de casa. Me refiro àquelas decorrentes de quando se é adolescente (ultimamente até antes) e "chega" a primeira menstruação.

Cólicas? Compulsão por doces? Inchaço? Raiva e chiliques sem razão? Esses são alguns dos muitos sintomas da conhecida tensão pré-menstrual (TPM). Mas o que já é difícil, acredite, pode ficar ainda mais complicado, porque outro temor é a menopausa. Ela mostra a que veio com suores excessivos, esquecimento, problemas para dormir, irritação a troco de nada e as tão comentadas ondas de calor que nem as férias no frio do Alasca seriam capazes de resolver. Os sintomas são tão intensos que muitas pensam que estão com alguma perturbação, possessão, loucura, instabilidade emocional ou algo do tipo, o que não é verdade.

Segundo o ginecologista Adolpho Kelm Júnior, de São Paulo, a menopausa é a falência do ovário caracterizada pela diminuição gradativa da produção de hormônios sexuais femininos (o estrogênio e a progesterona). Ele aponta que com as brasileiras o processo costuma acontecer entre os 48 e os 50 anos e esclarece que muitas confundem essa fase com o climatério. “O climatério é o período de transição que acontece antes da menopausa, quando há diminuição dos hormônios; a menopausa é confirmada após 12 meses sem menstruação”, explica.

Entre os sinais que mais incomodam, o médico destaca as famosas ondas de calor, a pele seca e a diminuição da libido e da lubrificação no ato sexual. O ginecologista cita ainda a perda da massa óssea e o aumento do colesterol, embora outros indícios, como suor noturno; distúrbios do sono, como insônia ou sono agitado; ansiedade; irritabilidade; melancolia; depressão; alteração de humor; dificuldade de concentração; e ganho de peso – sim, ele mesmo – também possam aparecer. A avaliação de um especialista e a realização de exames periódicos são muito importantes.

O que fazer?

A perda de massa óssea, por exemplo, pode ser resolvida com a adoção de uma alimentação saudável e de exercícios físicos de resistência muscular, como musculação, hidroginástica ou caminhadas a passos rápidos. O ideal é começar o quanto antes.

O médico também recomenda a inclusão da soja na alimentação. “Rica em isoflavona, a soja tem precursores dos fitohormônios que ajudam na produção de estrógenio”, diz. Estudos mostram que mulheres asiáticas na menopausa sofrem menos os efeitos do climatério e que isso estaria associado não apenas a seu estilo de vida, mas à alimentação rica em produtos à base de soja.

O melhor a fazer é procurar seu ginecologista e perguntar qual a melhor forma de passar a fase sem tanto terror e sofrimento.

Por Flavia Francellino / edição 1297 Folha Universal

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