domingo, 8 de janeiro de 2017

TER CIÚME É SAUDÁVEL PARA A RELAÇÃO?

Insegurança e baixa autoestima podem causar um sentimento exagerado. Veja se deve ou não controlá-lo

Em todo tipo de relacionamento, seja entre familiares, seja entre amigos ou cônjuges, é normal se preocupar com o outro. Contudo, se não houver um equilíbrio, essa preocupação pode evoluir para um comportamento controlador e ciumento. Na vida amorosa, o ciúme não é algo grave, mas em excesso se torna perigoso.

Para Andrea Lorena Stravogiannis, psicóloga e coordenadora do Programa de Tratamento de Amor e Ciúme Patológico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, ciúme é um sentimento universal e todos, em algum momento, o sentiram ou sentirão. “O ciúme considerado normal tem como função proteger e cuidar do relacionamento ou do objeto amado. Geralmente é acionado quando a pessoa sente que vai perder tal relacionamento”, destaca.

Ela explica que o ciúme tem origem na infância e os pais precisam ajudar os filhos a manterem apenas o ciúme saudável, aquele que tem a ver com zelo. “O ideal seria que a criança aprendesse a lidar com as perdas e frustrações desde cedo, percebendo que a mãe/cuidadora não é só sua, e aprendesse a dividir tanto coisas quanto pessoas”, aconselha.

Na fase adulta, o ciúme faz bem ao relacionamento quando o companheiro se sente amado e seguro. “No dito ciúme bom, ou seja, normal, quando acontece uma situação provocadora de ciúme, aquele que sente ciúme transmite isso de forma que o parceiro consiga escutá-lo e depois ambos decidem o que pode ou não ser feito”, pondera.

Bom ou ruim?

O ciúme descontrolado pode ser gerado por insegurança, baixa autoestima, ansiedade excessiva e sentimentos de rejeição, que provocam possessividade e insegurança. “No ciúme ruim, considerado patológico ou excessivo, o ciumento perde o controle. Qualquer situação ou gesto é interpretado como uma ameaça ao relacionamento, como, por exemplo, um aperto de mão, um abraço mais demorado, uma mensagem no celular”, diz a especialista.

O indivíduo muito ciumento parece um detetive e alimenta “pensamentos constantes acerca da infidelidade do parceiro e adota comportamentos de segurança: vasculha os pertences do parceiro ou parceira, investiga conversas nas redes sociais e segue o parceiro”, completa a psicóloga.

Por Débora Vieira / No Folha Universal

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