segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE AUTOCUIDADO E AUTOMEDICAÇÃO?

Nem todos os remédios disponíveis nas prateleiras das farmácias podem ser tomados sem orientação

Para cuidar da saúde é preciso tomar decisões. Desde a questão alimentar à prática de atividade física até adquirir novos hábitos e cuidar dos aspectos higiênicos e sanitários. Também devem ser encaradas com zelo a orientação médica e a ingestão de medicamentos.

Muitos fazem da farmácia uma espécie de supermercado, entupindo o armário de casa com remédios que vão da Aspirina a comprimidos para dores musculares. Remédios que podem oferecer um alívio imediato, mas trazer consequências graves ao organismo.

Por conta própria

Quando feita de forma indiscriminada e sem a devida orientação médica, a ingestão de remédios é bastante arriscada.

Considerada um problema de saúde pública, a automedicação foi a responsável por cerca de 30 mil casos de intoxicação no País, segundo números apurados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz) em 2011.

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que o uso indiscriminado de remédios é uma grande preocupação, uma vez que, dentre as causas de intoxicação registradas, a medicamentosa está à frente de outras causadas por produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados. São exatamente os remédios considerados menos nocivos, como analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios, que representam as classes de medicamentos que mais podem causar problemas.

A instituição define automedicação como “a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são ‘percebidos’ pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde.”

Uso consciente

Há quem se esqueça que medicamentos são compostos por substâncias que podem causar intoxicação e que, portanto, não devem ser adquiridos como se fossem mais um objeto de consumo, como salienta a própria Anvisa. O órgão também chama a atenção para o fato de a indústria farmacêutica ter se tornado um negócio lucrativo. “Um resultado disso é que as farmácias se transformaram em lugares de consumo exagerado. Estimuladas pela publicidade, as pessoas compram na farmácia vitaminas que poderiam obter em frutas naturais”, descreve a instituição.

A obtenção rápida de informações também facilita o acesso a medicamentos, uma vez que uma simples busca na internet é capaz de influenciar na decisão de compra e no uso de qualquer medicação.

A decisão de levar o comprimido da palma da mão até a boca deve ser uma prática responsável. Por isso, a orientação médica, odontológica ou farmacêutica é importante, pois, mesmo aqueles medicamentos que são facilmente comprados sem prescrição médica, podem trazer surpresas desagradáveis à saúde. Vale lembrar que o consumo de forma inadequada pode agravar o estado de uma doença, mascarando, inclusive, sintomas essenciais para um correto diagnóstico e para um tratamento mais preciso e específico.

Por Flavia Francellino /Edição 1289 Folha Universal

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