segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

2017, O ANO QUE NÃO VAI COMEÇAR

O tempo histórico da conjuntura brasileira e mundial nos impõe uma ofensiva direta contra os ataques a democracia, o belicismo mundial e a falência das instituições e organismos internacionais de proteção, garantias e preservação do ser humano, do meio ambiente e da vida... se 1968 foi o ano que não terminou, 2016 envelheceu antes da hora e 2017 poderá nem começar

Por Antônio Neves

No Brasil, o ano de 1968 foi o ano em que a juventude dava o tom do discurso para o enfrentamento às forças políticas e conservadoras nacionais que se instalaram no poder em 1964 e impuseram suas leis ditatoriais em nome de Deus, da família, e da propriedade privada, consolidava-se assim o AI-5 e com ele inaugurava-se o período mais vergonhoso da vida político-governamental do país. De 1968 até 1985, o Brasil vai conhecer o lado obscuro e ganancioso da elite nacional que se estabelece no comando da Nação sob a égide do autoritarismo, da tortura, da aniquilação dos direitos fundamentais do cidadão e instaura um regime de poder que obriga muitos brasileiros a lutarem bravamente para restituir, ao futuro, a dignidade da Nação, pautada na conquista da liberdade, com terra, trabalho e pão.

A redemocratização do Brasil em 1985 e os acontecimentos políticos que ajudaram a amadurecer nossa ainda insipiente democracia política, percorreu o trajeto das Diretas Já, em 1984/1985, promoveu o impitimam do presidente Collor em 1992 e elegeu um operário  presidente em 2002, trazendo de volta não só o sonho dos que residem no Brasil de baixo, mas elevando a autoestima dos que secularmente buscavam um lugar ao sol da pátria mãe gentil.

A Era Lula não só promoveu a cidadania e a inclusão social do povo brasileiro, melhorando significativamente as condições de vida da população como também elevou a ira insana da elite secularista que sempre nos negou tais condições. Incomodada em ter que dividir espaços que imaginavam só a ela pertencer, a elite política e econômica nacional vendo a ascensão do povo as órbitas do consumo, da educação, da cultura, dos direitos, da cidadania e do lazer, usando dos mais insustentáveis argumentos difundidos pelos seus canais de comunicação e ratificados por um poder judiciário medíocre e um legislativo completamente corrompido, fez de 2016 o ano em que a ainda frágil e tutelada democracia brasileira fosse reduzida ao mais baixo papel de sua representatividade e princípios constitucionais, quando depôs uma presidenta eleita por 54 milhões de brasileiros e colocou no poder um déspota ignorante, um vice-presidente vende-pátria, que junto com sua camarilha de assaltantes do poder e da riqueza nacional tratam agora de sonegar direitos, reestabelecer o Estado e exceção e implodir a economia nacional, patrocinando desemprego e reduzindo o país as estatísticas de miséria e exclusão de 15 anos atrás.

Diante o caos político e econômico estabelecido pela onda golpista à direita que hora assistimos passivamente, como se fosse apenas mais uma das novelas da Globo, percebemos que 2016 não chegará ao seu final sem que seus fantasmas sejam exorcizados e seus pesadelos parem de assombrar as esperanças de 2017. O momento exige ações radicalizadas com firmeza e propósitos bem definidos para além do tempo cronológico.

Se em 1968 a juventude se levantou contra toda e qualquer possibilidade de se submeter aos ditames da tirania e do subjugo dos donos do poder, enfrentando nas ruas, praças e cidades as baionetas, a tortura e o cárcere, 2016 manda dizer que ainda não estamos livres daqueles que insistem em voltar ao passado e, pela força e pelo ódio dos dominadores interrompem o sonho conquistado por milhões de brasileiros, reduzindo direitos e a democracia aos interesses dos  que não gostam de povo, nem de liberdade, nem do futuro.

Diante as incógnitas do presente, o ciclo não se fecha, 2016 não chegará ao seu final, não enterrará seus mortos, nem nos reconduzirá a democracia e a consolidação do que já conquistamos, se não compreendermos que o ano novo que se avizinha em nada se renovará se não se livrar dos velhos fantasmas que dormem eternamente em berço esplêndido. 2016 envelheceu antes da hora, mas não é um ano para ser esquecido. 2017 poderá ser o ano que não vai começar, mas desde já precisa ser combatido, só assim 1968 descansará em paz.

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