terça-feira, 29 de novembro de 2016

O REAL E O VIRTUAL NAS TEIAS DA REDE

“Estamos em desalinho entre o real e o virtual: as expectativas se tornaram clicks”

Tenho observado bastante o movimento frenético de exposição da vida nas redes sociais virtuais, em especial no Facebook e Instagram. Diante de tanta velocidade na era da informação instantânea, todos nós somos capturados por essa tendência global que transporta as experiências para os clicks.

É fato que o acesso à internet facilita e agiliza a nossa vida em diversos aspectos, tais como pesquisa, trabalho, entretenimento, comunicação com pessoas distantes, dentre outros. Talvez você não estivesse lendo esse artigo agora se não lhe fosse tão acessível, certo?

Compartilhar a intimidade até não poder mais…

Percebo que, para muitas pessoas, há uma espécie de tendência em exibir (escancarar mesmo!) as experiências, sensações, os pensamentos e o que mais estiverem dispostas a tornar público.

Então você deve estar pensando exatamente agora: “ O perfil é meu, a vida é minha e estou em um país livre e democrático! Qual o problema de eu expor a minha vida? ” Calma! Não interprete por esse caminho. Você tem toda razão e pode mostrar ao mundo inteiro o que quiser, desde o que foi o seu café da manhã até o seu boa noite, já de pijama. A questão é se já parou pra pensar nos impactos que podem afetar a sua privacidade, intimidade, família e outras áreas importantes do seu convívio.

Você já postou algo totalmente contraditório ao que estava sentindo?

O ponto que chamo atenção é em relação a incongruência entre o que se mostra e a realidade. Recentemente, ouvi um relato de que a pessoa em questão só era feliz em seus perfis virtuais, já que tudo compartilhado era referenciando uma vida perfeita. Porém, em seu interior, prevalecia uma série de insatisfações que culminavam em angústia. Esta era sentida com tamanha intensidade que necessitava compensar sua desproporção evidenciando via Web uma realidade desejada, porém completamente irreal.

Nesse caso, o sofrimento psíquico tende a acentuar-se ainda mais, principalmente se o acesso às redes virtuais for excessivo, ávido por consultar a felicidade alheia.

Eis aí algo extremamente importante para a saúde psicológica. Esta rede é um terreno de trocas das mais diversas esferas e nós necessitamos do outro e do que vem do outro para agregarmos qualidade às nossas relações. Em contrapartida, às vezes parece que um pouco dessa comunicação autêntica tem sofrido perdas, considerando a praticidade do ambiente on-line.

Suponhamos que você (pessoa física, cidadão comum) tenha 300 amigos no Facebook e 250 seguidores no Instagram. Dessa imensa quantidade de “amigos”, quantos você convida para comemorarem seu aniversário? Quantos você chama para mostrar sua mais nova conquista? Tomar um café, jogar conversa fora?

A maioria das respostas deve exibir um quantitativo bem diferente, já que entram em cena outras dimensões como afinidade, proximidade, história de vida junto e uma pilha de etc.

No Portal Raízes

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