sábado, 19 de novembro de 2016

CAICÓ: ATRASO DE SALÁRIOS DE FUNCIONALISMO MUNICIPAL AFETA DIRETAMENTE A ECONOMIA E O COMÉRCIO LOCAL

Como se não bastasse à crise econômica nacional, responsável pelo alto índice de desemprego, falência de pequenas e médias empresas, e a queda na arrecadação de estados e municípios, atraso no pagamento dos salários de servidores públicos estaduais e municipais contribui diretamente para o colapso econômico-financeiro da economia do nosso município

Por Antônio Neves – professor e funcionário público municipal

Quando servidores públicos protestam para terem as garantias do recebimento dos seus salários em dia e cobram do prefeito responsabilidades para com esta obrigação, muitos na sociedade ignoram o impacto que isso representa do ponto de vista econômico e social.

Em uma cidade do porte de Caicó, onde mais da metade do capital circulante mensalmente deriva dos proventos dos servidores públicos (estado, município e União), aposentados e pensionistas, uma onda de atraso de salários pode contribuir diretamente para o agravamento da crise econômico-financeira e social em que se encontra nosso município, onde o comércio, serviços e até mesmo a estabilidade do emprego de muitas pessoas depende da regularidade do pagamento salarial do funcionalismo, responsável por injetar mensalmente mais de 4 milhões de reais na economia local, isso falando apenas dos salários pagos pela prefeitura de Caicó.

Nos últimos meses em Caicó tem sido comum o cenário de pequenas empresas e pontos comerciais fechando as portas devido a vertiginosa queda nos negócios e no consumo, obrigando comerciantes a rever estratégias e investimentos devido a ausência de capital de giro, chegando, por isso, a demitir pessoal ou até mesmo a fechar seus estabelecimentos.

Por falta de melhor planejamento e organização financeira por parte do gestor municipal, a crise se estendeu também ao serviço público. Com a incerteza do não pagamento dos salários ao funcionalismo municipal referentes aos meses de novembro e dezembro, equivale dizer que mais de 8 milhões de reais deixará de circular no comércio e na cidade, situação esta que ocasionará sérios prejuízos a toda uma rede articulada de comércios e serviços, considerando que estamos em pleno final de ano onde pela lógica o consumo deveria aumentar, alimentado por mais dinheiro no bolso da população, já que as festas natalinas, viagens, reformas em casas, presentes e outros gastos costumam entrar nos planos daqueles que ganham um salário a mais também com o recebimento do 13º salário que, provavelmente, será o único provento que será pago aos servidores, pois até agora o prefeito Roberto Germano não deu nenhuma garantia que fechará o ano com os salários em dia, com isso, o 13º salário será redirecionado para outras prioridades, como o pagamento de dívidas acumuladas devido ao não recebimento dos salários em dia.

O mal maior diante tudo isso, é que esta soma de dinheiro que deveria circular na economia local em pleno final de ano ficará perdida e diluída, sem promover maior solidez no âmbito dos investimentos e do consumo local a curto e médio prazo, isso porque não há garantias de, uma vez atrasado, de quando os servidores municipais vão receber estes salários e de que forma, o que só ajudará a elevar a crise que já está instalada no serviço público, na economia e no comércio local.

Assim, é bom lembrar aos analistas de plantão que, ao levantarem qualquer crítica quanto ao fato de parte dos servidores estarem protestando e reivindicando a garantia do recebimento dos seus salários em dia, até o final de 2016, que não é só os salários que estão em questão, mas todo um ciclo econômico e suas consequências diretas e indiretas que prejudica o desenvolvimento da cidade inteira. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário