segunda-feira, 31 de outubro de 2016

COMO É SER MENINA NO BRASIL?

Estudo mostra que o País apresenta números elevados de problemas, como casamento infantil e baixo índice de escolaridade

De acordo com relatório divulgado neste mês pela ONG norte-americana Save the Children, o Brasil é o pior país do mundo para ser menina. O País está em 102º posição dentre 144 países e fica atrás de todos os países da América do Sul e em desenvolvimento, como Índia, Costa Rica e Timor Leste, além de nações que vivem conflitos, como o Iraque e a Síria.

Os dados considerados para o levantamento foram casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade materna, representação das mulheres na política e nível de escolaridade.

Segundo o relatório da ONG, a gravidez precoce também é um mau sinal, pois a cada 12 meses, 70 mil adolescentes morrem por complicações na gestação ou no parto.

Indicadores
Um levantamento nacional, realizado pelo Instituto Promundo, mostra que o Brasil ocupa o quarto lugar entre os países com maior número de meninas com até 15 anos casadas. É o que revela o estudo intitulado Ela Vai no meu Barco – Casamento na Infância e Adolescência no Brasil, publicado em 2015.

O relatório do Promundo indica que a cada sete segundos uma menina com menos de 15 anos se casa. A pesquisa mostra que existem no País 877 mil mulheres com idades entre 20 e 24 anos que se casaram antes dos 15 anos de idade.

Na América Latina, apenas a República Dominicana e Nicarágua possuem taxas superiores. A estimativa é de que até 2030 o número de casamentos infantis passe de 700 milhões para 950 milhões.

Inaceitável
É inaceitável conviver com essa triste realidade. Essas pesquisas demonstram que muitas vezes nem sequer temos noção de quantas meninas têm sua infância e direitos roubados no Brasil e no mundo.

Em entrevista concedida ao jornal Correio Braziliense, a cientista política e coordenadora do Coletivo Feminino Plural, Télia Negrão, diz que o Brasil deixa a desejar quando o assunto é o combate ao problema. “O resultado demonstra uma dívida do Estado brasileiro e da sociedade para com as meninas. As políticas públicas são contraditórias e falta enfoque”, afirma.

Segundo a especialista, o problema é mais profundo do que parece e é resultado das desigualdades que assolam o País. “Está relacionado à desigualdade social, econômica e racial. Existe uma relação entre casamento infantil e rota de turismo sexual, ambos presentes no Norte e Nordeste, e correspondem à baixa escolaridade, baixo acesso à informação e exercício da sexualidade sem autonomia. Milhares de meninas de 12 a 14 anos são casadas com homens mais velhos, como uma forma de sustento da família. Gravidez na adolescência é agravo de violência sexual, assim como casamento infantil”, conclui a especialista.

Por Maiara Máximo / edição 1282 Folha Universal

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