quarta-feira, 26 de outubro de 2016

BELCHIOR: 70 ANOS DE TALENTO, RECONHECIMENTO E SAUDADE

Um dos maiores ícones da música popular brasileira completa nesta quarta-feira (26), 70 anos: Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Cearense de Sobral, Belchior é referência na música, como compositor e voz incomparável, mas também se destacou como intelectual, poeta e artista plástico. Gênio.

O terceiro filho de Dolores Gomes Fontenelle Fernandes e Otávio Belchior Fernandes tinha a liberdade por compromisso. Inquieto, desbravava as ruas de Sobral, onde conviveu proximamente com a cultura da região, que acabou sendo pequena para sua mente inquieta.

Já na capital cearense, onde passou a estudar, ingressou em primeiro lugar para a faculdade de Medicina da Univerisdade Federal do Ceará, que cursou por quatro anos e abandonou sem concluir. Circulava em emtradicionais pontos culturais de Fortaleza - como o Bar do Anísio, na Beira Mar e o Estoril, na Praia de Iracema - locais onde convivia com os boêmios e intelectuais cearenses.

Na década de 1970, Belchior parte novamente, desta vez para o eixo Rio de Janeiro - São Paulo, época em que conseguiu projetar suas composições nacionalmente. Mas foi em 1976, aos 29 anos, que sua carreira deslanchou. Com canções gravadas por Elis Regina, e o lançamento do álbum “Alucinação”, o cearense viu seu rumo tomar novos horizontes.

Suas canções, sua obra e sua trajetória mostram sua inquietação: falam amor, paixão, sexo, arte, liberdade, política, solidão, existência e até de violência. Belchior é desses artistas que deixam marcas indeléveis na vida das pessoas, com talento e originalidade, e também com sua surpreendente decisão de afastar-se da vida artística. Seu autoexílio também é uma decisão polêmica, que levanta questionamentos, críticas e apoio. Quem o acompanha e o admira, até consegue compreender.

Certa vez, em entrevista concedida ao Jornal O Povo, Belchior afirmou: "Olha, essas fugas de casa foram constaaaantes (risos). Sempre fui um menino muito levado, inquieto e isso me levou a fugir várias vezes de casa, mas eu sempre voltei". Quem sabe ele volte novamente!

De Fortaleza, Carolina Campos

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