quarta-feira, 26 de outubro de 2016

BELCHIOR, 70 ANOS DE SONHO, DE SANGUE E DE AMÉRICA DO SUL

Quem ouve falar de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes pode não se dar conta, de imediato, que se trata de um dos maiores compositores brasileiros. Para os fãs, e para o mundo, ele ficou conhecido simplesmente como Belchior. Esta quarta-feira (26) é dia de festa para a música, o rapaz latino-americano completa 70 anos.

(FOTO) Show do Belchior no Centro Cultural São Paulo em 1988.

Belchior cantou, como poucos, os prazeres e os medos de um continente esquecido. E mais, a beleza e a dureza de ser nordestino no maior país de sua amada América do Sul. Além de compositor e cantor, é reconhecido como poeta, intelectual ativo e artista plástico. Um gênio de nosso tempo.

Quando a Operação Condor invadia nosso território – no começo dos anos 70 – o condor de Belchior voava sobre Andes para, na fúria das cidades grandes o cearense de Sobral, abrir sua voz cantar o amor e a esperança de novos dias.

Dezenas de grandes nomes da música brasileira cantaram as canções de Belchior, a simplicidade dos versos e a sinceridade conquistaram o coração do Brasil. Entre eles, Elis Regina, que imortalizou Como nossos país.

Depois de uma série de idas e vindas, entre Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, Belchior consolidou sua carreira com seu segundo disco, Alucinação, em 1976, dele saíram canções que até hoje emocionam até os corações mais duros, entre elas, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, Alucinação e A Palo Seco.

Mais tarde o rapaz latino-americano traz seu Comentário a respeito de John, em sua obra Era uma vez um homem e seu tempo. E neste disco também, a icônica Voz da América. Com a carreira de músico mais que consolidada, Belchior se aventurou por novos caminhos, e em tudo, trabalhou com maestria e paixão. Um intelectual completo.

Não vamos falar aqui sobre o “desaparecimento de Belchior”. O artista deixou sua obra, a melhor que poderíamos receber, e escolheu outro rumo. Aos 70 anos, é uma lenda viva, bem viva. Não esperemos que ainda nos surpreenda, seu legado é completo e não nos deixa o direito de exigir nada mais deste coração selvagem que tem pressa de viver e está em outra viagem.

Por Mariana Serafini, no Vermelho

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