sexta-feira, 19 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS: A DISTORÇÃO DO QUADRO DE MEDALHAS NOS JOGOS

Qualquer aficionado do esporte mostra quase nenhuma surpresa ao saber que apenas 3 atletas de um país obtiveram quase a metade das medalhas conquistadas durante a competição. Afinal de contas, dezenas de países conquistam menos de uma dúzia delas em meio a mais de 70 modalidades esportivas em disputa. A surpresa é que esses 3 atletas amealharam 13 das 30 medalhas de ouro obtidas por seu país.

Por Humberto Alencar*

A medalha de ouro dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - 2016A medalha de ouro dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - 2016 O critério de classificação do quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos é definido pelo total de medalhas de ouro. Se houver empate no número de medalhas de ouro, o segundo critério é o de medalhas de prata e, por fim, o de medalhas de bronze. Isso basta para, em toda edição dos Jogos, a imprensa abalizar como cada país se saiu na mais importante das competições esportivas.

Sendo assim, nada melhor para um país que seus atletas ganhem medalhas em esportes individuais e não coletivos. Esportes coletivos rendem apenas uma medalha para seus atletas. Uma delegação com 23 atletas, no futebol, pode render apenas 1 medalha para o país. Já uma delegação de, digamos, 12 atletas, na natação, pode trazer mais de uma dezena de medalhas.

Ao longo da história dos jogos os países perceberam essa distorção. O caso mais evidente é o dos Estados Unidos. Nos Jogos Olímpicos do século passado alguns países socialistas, como a Alemanha Democrática, investiram muito mais na natação - esporte olímpico que resulta em maior número de premiações - que em outros esportes.

Os Estados Unidos sempre trouxeram para os jogos numerosas equipes de atletismo, ginástica e natação. Sempre deram muito mais valor aos esportes individuais que aos coletivos. E sua liderança é fruto de investimento e dedicação. São as medalhas conquistadas na natação, na ginástica e no atletismo que mantêm há décadas a hegemonia dos estadunidenses nos Jogos Olímpicos.

No caso dos EUA, Michael Phelps, Katie Ledecky e Simone Biles ganharam praticamente metade dos ouros norte-americanos, seja individualmente, seja em competições por equipes, no Rio 2016.

No total, os três juntos conquistaram 13 títulos olímpicos de um total de 30 obtidos pelos EUA. Isso corresponde a 43% das medalhas de ouro dos estadunidenses.

Phelps é quem mais conquistou ouros nesta edição: foram cinco para sua coleção, a maior da história dos Jogos Olímpicos. Desta vez, foram três em revezamentos e dois em provas individuais, 200 metros borboleta e 200 m medley. Sua única derrota foi nos 100 m borboleta em que ficou com a prata. Sozinho tem mais medalhas que outros 192 países dos 206 que competem nos jogos.

A distorção seria menor se o quadro de medalhas contabilizasse apenas uma medalha para cada disciplina. Ou mais medalhas para os esportes coletivos. Como medalhas para artilheiros, cestinhas, pontuadores, no caso de esportes coletivos como futebol, basquete e vôlei, por exemplo.

Jornalista do Portal Vermelho

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