segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O ZIKA VÍRUS PODE SER TRANSMITIDO POR PERNILONGO

Descoberta pode mudar as medidas de controle e prevenção

A pesquisa da bióloga Constância Ayres, do Departamento de Entomologia da Fundação Oswaldo Cruz, em Pernambuco, pode mudar completamente a forma como o governo e a população encaram a transmissão e a disseminação do vírus zika.

Até então, o mosquito Aedes aegypti era o único vilão. Mas o estudo realizado pela profissional mostra que pode haver outro protagonista a ser combatido na luta contra o zika. A pesquisa apontou que o mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo doméstico ou muriçoca, também pode adquirir e manter, em seu interior, o vírus responsável pela zika, doença que pode ocasionar casos de microcefalia e má-formação de bebês cujas mães tiveram a doença durante a gestação.

Por três meses, Constância observou 500 pernilongos capturados na Região Metropolitana do Recife. Ao alimentar 200 deles com sangue contaminado pelo vírus, encontrou, em alguns deles, o vírus presente na glândula salivar. O fato coincide com uma suspeita que a bióloga já tinha.

No começo do ano, em um artigo publicado na revista The Lancet Infectious Deseases, especializada em doenças infecciosas, a pesquisadora levantou justamente a possibilidade de não haver um único vetor. “Assumir que o vetor principal da zika é o Aedes aegypti, em áreas em que outras espécies de mosquito coexistem, é ingenuidade”, escreveu na época.

E se a suspeita for real?

Caso a suspeita se confirme, uma readequação na postura adotada contra a transmissão do vírus seria a estratégia mais viável, como declarou a pesquisadora em uma entrevista dada ao portal BBC Brasil. “Não existem estratégias de controle do Culex no Brasil. Isso vai ter de mudar radicalmente e é por isso que as autoridades exigem muita cautela e mais comprovação.”

O Culex, diferentemente do Aedes, é mais ativo à noite e deposita seus ovos em águas sujas, como o esgoto. Sendo assim, a deficiência do saneamento básico de algumas regiões as colocariam como alvo fácil. “As medidas de saneamento ajudam a manter o mosquito em um nível no qual não teremos grande epidemia”, prevê a especialista.

Vale lembrar que as conclusões são preliminares e se limitam a observações feitas em laboratório e, por isso, ainda não se sabe se na natureza o mosquito seria capaz de passar o vírus adiante.

Por Flavia Francelino / Fotos: AFP/Edição 1270 Folha Universal

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