sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ESTUDANTES DE BAIXA RENDA JÁ SÃO MAIORIA EM UNIVERSIDADES FEDERAIS

As universidades federais brasileiras estão se tornando mais populares. Essa é a conclusão da pesquisa lançada nesta quinta-feira (18) realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Segundo a conclusão da consulta, as políticas de expansão e inclusão implementadas nos últimos anos foram fundamentais para que a inserção das classes classes D e E sejam hoje a maioria dos estudantes no ensino superior público.

Segundo dados da pesquisa, dois terços do quadro de alunos, ou seja, 66,19% têm origem em famílias com renda média de 1,5 salário mínimo, o que caracteriza uma alteração radical no perfil dos estudantes. Se consideradas apenas as regiões Norte e Nordeste, o percentual de estudantes com perfil Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) atinge 76,09% e 76,66%, respectivamente. À época da primeira pesquisa, o total de estudantes com até 1,5 salário mínimo era de 44%, o que significa em um aumento de 50% de estudantes com perfil Pnaes.

Outro elemento importante é a renda per capita das famílias dos graduandos por região do país. No Nordeste, eles têm renda de R$ 710,00 em média. No Norte, R$ 716,00. No Sul, R$ 1.032,00. No Sudeste, R$ 1.050,00, e no Centro-Oeste, R$ 1.132,00. Média de R$ 916,00 por discente. Sendo o 1,5 salário mínimo (R$ 1.086,00), em 2014, quando este estudo foi realizado, os estudantes das universidades federais têm, em média, uma renda inferior ao teto do Pnaes. Destes, percebe-se que os estudantes com maior vulnerabilidade são os da área de Ciências Biológicas, enquanto os estudantes das áreas de Ciências Sociais Aplicadas e Engenharias, as maiores rendas.

No quesito cor e raça, o relatório evidencia o impacto que a adoção de ações afirmativas, por meio da reserva de vagas, tiveram dentro das universidades federais. O destaque é o percentual de 47,57% de autodeclarados pretos e pardos, que mostra que a Lei das Cotas, que foi sancionada em 201, cumpre bem o seu objetivo. De acordo com dados do MEC, em 1997 o percentual de jovens pretos, entre 18 e 24 anos, que cursavam ou haviam concluído o ensino superior era de 1,8%; o de pardos, 2,2%. O baixo índice indicava que algo precisava ser feito.

Em números absolutos, de 2003 a 2014, os brancos eram em torno de 278 mil nas Universidades, hoje são 429 mil. Os autodeclarados pardos eram 132 mil e, atualmente são 354 mil. Já os pretos que eram 27 mil, hoje são 92 mil, o que representa que o número de negros nas universidades brasileiras triplicou, nos últimos anos.

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