segunda-feira, 22 de agosto de 2016

EDUCAÇÃO: BRASIL LIDERA RANKING DE MAU COMPORTAMENTO

Estudantes brasileiros são os que mais desrespeitam os professores em sala de aula. É possível mudar essa situação?

“Silêncio”, “mais uma vez vou ter que encaminhá-los à diretoria” e “se continuarem gritando não darei mais aula”. Essas frases são ditas comumente pelos professores quando estão em sala de aula. Se, no passado, o período escolar era marcado por respeito, atualmente virou sinônimo de baderna. As pesquisas comprovam isso e essa situação tem colocado o Brasil em um cenário de vergonha quando o assunto é educação.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o País tem o maior número de alunos com problemas comportamentais. Além disso, dos 34 países que participaram da pesquisa, os professores (mais de 60%) afirmaram que perdem muito tempo para tentar colocar ordem na sala de aula. No Japão, por exemplo, este índice é de 10%.

A carência de profissionais e o excesso de alunos por classe também foram pontos mencionados, considerando que esses fatores deixam o local menos favorável para o estudo. Outro dado curioso é que essa indisciplina acontece tanto nas escolas particulares como nas públicas. A diferença entra elas foi de apenas três pontos.

Por que os alunos não sabem se comportar?

O professor de História da rede pública Bruno Magalhães Silviano, de 31 anos, conta que a indisciplina é constante nas classes em que ele dá aula. “As brigas são corriqueiras e já tive que lidar com uso de drogas dentro de uma sala do 6º ano”, revela.

Para ele, a família tem papel fundamental para essa indisciplina. “A família precisa ser parceira da escola, não somente cobrando o silêncio dos alunos, mas incentivando os estudos em casa e participando das atividades da escola. Uma criança ou jovem que se percebe acompanhado é menos inseguro e indisciplinado”, observa.

Outro fator é a postura dos jovens frente aos professores. O descomprometimento não é culpa exclusiva do pai, da mãe ou de quem os cria, mas deles também. “Os jovens têm o direito de reivindicar mudanças pedagógicas, mas precisam aceitar os contratos democráticos estabelecidos pelo conjunto da escola. Assim como devem ter tempo de lazer, devem ter um período de reflexão em aula. A conversa e a confiança entre professores e alunos são fundamentais para isso”, conclui o professor.

A solução para a indisciplina

Saber lidar com a nova geração e a conscientização e a participação por parte da família são atitudes que podem transformar hábitos de indisciplina. “A família deve estar presente, não só às reuniões, mas nas comemorações da escola. Em reuniões normalmente existe a presença maciça de pais dos bons alunos, os que não têm problemas de faltas, de conceitos ou de comportamento. Quanto aos que apresentam qualquer um desses problemas, os pais não vêm às reuniões”, revela Eloisa Lages, professora de Marketing para alunos do ensino técnico integrado ao médio.

É importante também que os jovens reflitam em relação ao que estão plantando hoje. O respeito é à base de qualquer relação e, quando se trata de ensino, o interesse e o bom comportamento são essenciais para construir um bom futuro. Afinal de contas, é como diz o famoso educador e pedagogo Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Por Ana Carolina Cury / Edição 1272 Folha Universal

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