terça-feira, 16 de agosto de 2016

CAICÓ NÃO DEVE ‘CONTINUAR’ ONDE ESTÁ!

Com orgulho, e por muito tempo, Caicó teve a primazia de destaques invejáveis. No Estado, só Natal e Mossoró lhe deixavam atrás, e isso em certos aspectos. A Capital do Seridó era uma espécie de “Hollywood sertaneja”.

Por Jerônimo Medeiros Neto
Jornal O Quinzenal – Edição 147/agosto 2016

Município vive momento crítico de atraso, violências, desemprego e falta de oportunidades

Tudo aqui inspirava bom gosto e encanto. Caicó era a mais bela, a mais fascinante, a mais sedutora. Quem vinha uma vez, queria vir mil vezes, pois se apaixonava por Caicó, que expandia sua fama Brasil afora, e nesse aspecto Natal e Mossoró nem tentassem pôr Caicó atrás. A Capital do Seridó as batia bonito! Foi o Tempo Áureo da Cidade.

A Majestosa festa de Sant’Ana, seus carrosséis, as ruas tomadas de gente, com brilho, cores e graça. No carnaval, os folguedos, os papagus, as Escolas de samba na Avenida. Os Cinemas. O Futebol e sua arte. A juventude sadia e sua inteligência estudantil. À noite, o bate-papo descontraído na calçada. As campanhas políticas inesquecíveis. A combinação irresistível do queijo com a carne-de-sol. A algodoeira beneficiando o algodão mocó. Quando chegava o inverno, a alegria de contemplar as águas do barra Nova, Seridó, Sabugi, e o sem-fim do açude Itans. Diante a tudo isso, como não se apaixonar por Caicó?

Mas pouco a pouco, o descaso foi-lhe tirando o brilho. Foi-se a magia da Festa de Sant’Ana. Salvo os blocos do Magão e o Treme-Treme, o carnaval saiu da Avenida e alojou-se na fornalha dos clubes fechados. Dos quatro cinemas, não restou um. O Futebol está quase no apito final. A juventude estudantil trocou os livros pelas festas e a bebedeira. As tardes são tórridas. Á noite, o bate-papo nas calçadas deu lugar ao refúgio dentro de casa, com as portas, janelas e portões fechados, pelo medo dos meliantes. As campanhas políticas perderam a garra, o fascínio e o idealismo. O queijo (salvo raríssima exceção) vem sabotado com farinha-de-trigo e óleo-de-cozinha; e a carne-de-sol virou carne-de-freezer. O algodão mocó o bicudo matou, até o inverno se foi! Estão ai o Barra Nova, o Seridó, o Sabugi e o Itans na lama.

O que explica esse ocaso de Caicó? Destino ou descuido? Não resta dúvida: DESCUIDO! Na atualidade, o que abarrota Caicó são “simulacros” de políticos fazendo “simulacros” de política, empurrando com a barriga os graves problemas do município. Erro absoluto. Como uma doença que não se contorna com paliativos e ressurge mais violenta ainda, assim estão os problemas de Caicó, mais generalizados mais fortalecidos e mais insistentes.
Eles não vão embora com falsas promessas. Eles só sairão com ações pra valer!

Isso deve ser feito já! Porque Caicó não deve “continuar” onde e como está.

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