terça-feira, 30 de agosto de 2016

A INFLUENCIA CULTURAL QUE HÁ EM NÓS

Estudo mostra o quanto somos afetados inconscientemente por nossa cultura
Por Doracino Naves

A cultura desempenha um papel importante na forma em que vemos o mundo. Ela influencia como pensamos e, inclusive, determina a nossa conduta. Uma pessoa que nasce em uma cultura pode desenvolver um modo de pensar muito diferente de alguém que nasceu em outra cultura.

O psicólogo social Richard Nisbett compartilhou uma parte de uma extensa investigação sobre as razões de como as mentes ocidentais e orientais apresentam tantos aspectos diferentes, desde a forma de pensar até à percepção das normas sociais e a estrutura política.

Uma das descobertas mais interessante se refere ao fato de que os ocidentais têm tendência a se centrar mais nos objetos e, com esse espírito, desenvolvem uma pensamento analítico, enquanto os orientais se centram mais nas semelhanças e apresentam um pensamento holístico. Ou seja, um pensamento integral dos acontecimentos.

Tudo parece indicar que nós, ocidentais, nos centramos mais nos objetos.  Interessa-nos mais identificar as propriedades, categorizá-las e descobrir as regras e os princípios que regem nosso comportamento. Por isso é comum dividirmos as coisas para tentar entendê-las. Assim, assumimos uma perspectiva mais reducionista ou atomizada.

Esta forma de pensar é uma das razões pela qual a cultura ocidental realiza importantes avanços na lógica, na ciência, e na tecnologia. Na verdade, a ciência se baseia precisamente em isolar variáveis e comprová-las em ambientes controlados onde todos os demais fatores se mantêm constantes.

Ao contrário, os orientais se centram mais nas relações que se estabelecem entre as coisas. Eles se interessam em descobrir a interdependência e assumem que sempre estão na metade do caminho da verdade. Esta forma de ver o mundo lhes permite serem mais flexíveis, dependendo do contexto ou da situação.

Por isso, a cultura oriental geralmente é mais aberta aos paradoxos e às contradições. E também mais livre aos fenômenos que não seguem as regras ordenadas e específicas que são estabelecidas no Ocidente. Em principal as que dizem respeito de como funciona o mundo.

Claro que isto não quer dizer que todas as pessoas de uma cultura pensem da mesma maneira. Mas os padrões gerais se aplicam a muitos de seus integrantes. Tampouco significa que um tipo de pensamento seja melhor do que o outro, já que ambos são complementares e têm suas próprias vantagens e desvantagens.

Na realidade, nenhuma destas formas de pensamento é certa ou errada. Cada um de nós tem uma perspectiva diferente do mundo e são diferentes as formas de interpretá-lo. Uma perspectiva pode ser mais estreita e analítica, enquanto que a outra tende a ser mais ampla e holística. Cada uma delas nos conduzirá por um caminho diferente.

Obviamente, que haverá situação nas quais aplicaremos o pensamento analítico, centrado nos detalhes. Entretanto, em outras circunstâncias necessitaremos de um pensamento mais flexível, amplo e holístico.

O mais importante é saber qual pensamento colocamos em prática para desenvolver uma visão que nos enriqueça.

Publicado originalmente em Rincon de la Psicología. Com tradução e adaptação de Doracino Naves para o Portal Raizes
Fontes:
Nisbett, R. (2003) The Geography of Thought: How Asians and Westerners Think Differently. Nueva York: Free Press.
Nisbett, R. & Masuda, T. (2003) Culture and point of view. PNAS; 100(19): 11163–11170.

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