segunda-feira, 20 de junho de 2016

PENSE BEM ANTES DE DESISTIR

Conheça a história do jovem inglês que persistiu, mesmo tendo seu trabalho rejeitado mais de 700 vezes

Retroceder nunca, render-se jamais” é uma expressão que pode descrever bem John Creasey (1908-1973), que na década de 1930 não era mais que um jovem inglês que pulava de emprego em emprego.

Mas Creasey tinha um sonho que perseguia desde criança: ser escritor. Filho de um construtor de charretes e o sétimo de nove filhos, Creasey teve poliomielite na infância. As sequelas não foram tão fortes a ponto de o impedirem de andar e, logo cedo, ele começou a batalhar pelo sustento. Sua família humilde de Surrey, nos arredores de Londres, não aprovava muito sua intenção de escrever profissionalmente. Os próprios parentes foram os primeiros a lhe dizerem “não”.

De 1923 a 1935, já mandava suas histórias policiais para várias editoras britânicas. Os textos eram sempre recusados. Mesmo quando estava trabalhando, fosse como auxiliar de escritório, operário ou balconista, ele não desistia de escrever.

Em 1932, Creasey conseguiu publicar sua primeira novela policial, Sete Vezes Sete (em tradução literal), mas o fato não fez alarde e tampouco ele chegou ao sucesso. Ele entrou para o Guinness World Records (Livro Mundial dos Recordes) como o escritor que mais recebeu recusas na história: foram 743.

Creasey prosseguia em sua meta. No gelado fim de tarde da véspera de Natal de 1935, lá estava o rapaz trabalhando como carteiro. Ele seguia, de bicicleta, do Centro da cidade para a sua casa no subúrbio. A roupa e o rosto estavam escurecidos pela fuligem do “smog” londrino (uma nada agradável e menos ainda saudável mistura de neblina com fumaça das chaminés da época).

Não é preciso dizer que Creasey foi o vencedor. Ele teve sua história publicada e recebeu uma boa soma em dinheiro, que lhe possibilitou dedicar-se à carreira de escritor em tempo integral. Os dias de carteiro com o rosto coberto de fumaça ficaram para trás.

Muito disciplinado, Creasey sempre cumpria os prazos de entrega dos textos. Suas histórias, na grande maioria, eram policiais, repletas de mistério, algo bem típico de outros escritores de sua terra, como Conan Doyle (com seu detetive Sherlock Holmes) e Agatha Christie, além de faroestes, ficção científica e espionagem. Mais tarde, algumas histórias foram adaptadas para séries de TV e para o cinema.

Ele mesmo acabou virando editor e se lembrou das antigas dificuldades para ajudar outros pretendentes a escritor. Em 1953, fundou uma associação que concedia um prêmio anual em dinheiro para obras inéditas de novos autores. Claro que fez muito mais na vida: viajou a dezenas de países, muitas vezes levando esposa e filhos, mas estava sempre trabalhando. Era intenso ativista político. E nunca desistiu.

Contamos isso tudo para que você pense bastante antes de desistir de alguma meta traçada, mesmo quando ela parecer difícil de concretizar. Seu sonho foi apagado pelas circunstâncias da vida? “Perdeu o gás”? Ainda acha que aquele diploma parece impossível, que aquele casamento não sairá do campo do desejo ou que a prosperidade é só para os outros?

Creasey tinha motivos para usar centenas de desculpas, mas não o fez. Ele não se acomodou. Além do mais, olhando pelo lado positivo, venhamos e convenhamos: dificilmente você ouvirá 743 “nãos” durante sua vida.
Por Marcelo Rangel / edição 1263 Folha Universal


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