quarta-feira, 8 de junho de 2016

O ATAQUE AOS MOVIMENTOS SOCIAIS E À DEMOCRACIA

O jornal O Estado de S. Paulo se arvora como radical defensor do governo ilegítimo de Michel Temer. Prega a intolerância e incita a ação policial e repressiva contra os movimentos sociais, revelando o caráter ditatorial que espera da interinidade golpista.

A pregação autoritária está presente em dois editoriais publicados na segunda-feira (6), sob os títulos “O desespero petista” e “Ganhando no grito” – dois textos exemplares da limitada concepção de democracia daquele porta-voz do obscurantismo que defende a criminalização do movimento social que não se enquadra nas limitadas regras da classe dominante, que rejeita o protagonismo popular. A participação política deve restringir-se ao ato meramente formal de votar, quando a elite julgar conveniente...

São limites claros, que foram formulados por um representante da oligarquia na Constituinte de 1946, o banqueiro Clemente Mariani (UDN-BB), que declarou: “a democracia que queremos implantar no Brasil não é a democracia social ou proletária, mas a democracia formal, burguesa, que tem seu fundamento, sobretudo, na liberdade, e não na igualdade”.

Nesse espírito, o Estadão acusa os movimentos sociais de “grupelhos de agitadores” contrários ao governo ilegítimo de Temer e, por isso, voltados para a “desordem social e a subversão do regime capitalista e democrático”. Mais claro impossível – a elite reacionária só aceita a democracia meramente formal, sem lugar para a igualdade nem para a luta por ela!

Passando da teoria à prática, o jornal junta-se à pregação parafascista do ocupante do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes (que já teve a coragem antidemocrática de comparar movimentos sociais a “grupos guerrilheiros” para justificar a violência contra eles). “Não há cálculo político”, afirma, “que justifique qualquer demonstração de tolerância” com os movimentos sociais. Por isso pede a aplicação da lei “contra protestos violentos” e quer, acima de tudo, que Temer pare “de fazer concessões a esses obstinados inimigos da democracia”.

Não são – na verdade, são os lutadores pela democracia plena e mais vigorosa – o sistema político baseado na soberania popular. Que deixaram, em nossa história, a marca vermelha do sangue derramado por militantes dos movimentos sociais e das forças progressistas que deram a vida e a liberdade pela democracia. Os mesmos militantes que o Estadão acusa, hoje, de serem “obstinados inimigos da democracia”! E que são os verdadeiros defensores da democracia do regime de liberdade e protagonismo popular.

Os brasileiros não aceitam mais o sistema democrático limitado e restrito da elite, e que se resume ao espaço da cabine eleitoral. Este é fundamental, mas só se concretiza como força democrática verdadeira e profunda quando acompanhada pelo vigoroso movimento das ruas. A formalidade da democracia impõe o protagonismo popular que resiste à ganância do capital. E esta autenticidade democrática os setores mais reacionários da classe dominante nunca aceitaram.

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