segunda-feira, 20 de junho de 2016

ILHA DE SANT’ANA: PARA QUE SERVE?

Ineficiência dos poderes públicos, desvio de finalidade, sucateamento, privatização. Uma obra de um custo de 19 milhões de reais, a Ilha de Sant’Ana de Caicó distanciou-se dos objetivos para a qual foi construída e, enfim, virou lugar de poucos

Falta de gestão e desinteresse governamental fez da Ilha de Sant'Ana um lugar de poucas possibilidades

O causo é velho, o mote também: governos constroem suas obras faraônicas que, depois de certo tempo ou as transformam em “elefante branco” ou as privatizam, para fugir da responsabilidade social de prover o desenvolvimento humano, social, cultural e econômico para qual a obra se propôs.

Com a Ilha de Sant’Ana de Caicó (pouco conhecida como Complexo Turístico Santa Costa) não foi diferente, 12 anos depois de construída e inaugurada, este espaço de socialização foi pouco-a-pouco e, cedo demais, se transformando num ambiente feio, subutilizado, de manutenção cara e abandonada; nem a prefeitura menos ainda o governo do estado deu a devida atenção para que este local pudesse ter se viabilizado como centro de difusão das culturas, do esporte, das manifestações artísticas e comercialmente viável na pobre cidade do Caicó.

Sem nenhum projeto que aponte para ações desta natureza, a Ilha perdeu sua finalidade como bem público de acolhimento das manifestações e necessidades do povo caicoense. Prefeitura e estado brigam para saber de quem é a obrigação pela sua manutenção e, por causa disso, seu inevitável sucateamento fez do local um ambiente mau cuidado onde sua infraestrutura padece de melhorias, adequações e ampliação das opções de lazer, como, por exemplo, uma academia popular, já que ali é grande o público de usuários que utilizam o ambiente para práticas de esporte e educação física, além de uma arborização adequada e proporcional ao tamanho e necessidades da sua área verde construída.

Sem capital nem planejamento financeiro para realizar os eventos populares na dimensão que o espaço permite e a cidade gostaria de ter, a solução encontrada nos últimos anos, principalmente a cada período de festa de Sant’Ana é privatiza-la para empresários do ramo de promoção e eventos, isso mesmo, o termo que se adequa a este tipo de transação é, PRIVATIZAR, porque não existe outra relação para esta prática, já que a concessão temporária que é dada ao “empresário” que ganha a licitação, garante ao mesmo a exploração comercial do espaço (público) da Ilha em troca da montagem de uma estrutura de som, camarotes e bandas musicais (de péssima qualidade) para animar os dez dias de festejos da padroeira da cidade. Lembrando que para fazer uso de camarotes ou espaços “Vips” é preciso pagar, pois a finalidade de tudo isso é meramente comercial e visa somente o lucro e não a promoção cultural ao nível da diversidade que a cidade tem quanto ao uso e consumo dessas práticas.

Esta é a realidade; a tão propagandeada Ilha de Sant’Ana que um dia se pretendeu ser “Complexo turístico”, chegou antes do tempo a lastimável despadronização dos seus propósitos mais elementares: nem cultura, nem arte, nem lazer. Transformou-se num objeto de exploração capitalista para atender interesses de grupos empresariais sedentos de lucro a custo quase zero e de baixa qualidade nos serviços e atrações oferecidas nos períodos festivos. Sem uma gestão comprometida com o uso e consumo consciente, inclusive do meio ambiente (já que a Ilha fica no meio de um rio) seu destino e mau uso é apenas mais um reflexo, resultado da falta de inteligência administrativa, criatividade, planejamento e interesse dos governantes local e estadual em fazer dela um ambiente saudável para os olhos, o corpo e a mente. Ficou Mix demais!

Que Sant’Ana e São Sebastião tenham piedade de nós!

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