terça-feira, 28 de junho de 2016

BRASILEIRO TOMA ÁGUA COM MILHO E PENSA QUE É CERVEJA; DIZ PESQUISA

Ainda existem marcas de cerveja no Brasil que respeitam o paladar do consumidor e abrem mão de usar os 45% de milho

Ilustração: Cerveja deve ter apenas na sua composição: água, malte de cevada e lúpulo, ou água, cevada e lúpulo

O Brasil, que hoje é o terceiro maior produtor da bebida no mundo, tem na cerveja a bebida preferida dos mais de 200 milhões de habitantes. Mas, curiosamente, a bebida que é servida por aqui, na grande maioria dos casos, não é cerveja.

A “Reinheitsgebot”, Lei da Pureza da Cerveja, foi promulgada em 23 de abril de 1516 pelo Duque Guilherme IV da Baviera e tinha como objetivo regular a fabricação da bebida em território alemão. O texto era simples, dizia que a cerveja só poderia ser feita com três ingredientes: água, malte de cevada e lúpulo. Até hoje: mais de quinhentos anos depois, a maioria dos cervejeiros alemães ainda segue a receita à risca.

O mesmo não acontece por cá. Grandes marcas nacionais como a Kaiser, Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Itaipava se aproveitam de uma “brecha” na legislação brasileira para não usarem cevada em suas bebidas. Aqui é permitido que até 45% do malte de cevada seja substituído por outras fontes de carboidratos mais baratas. O que entra na garrafa então é milho transgênico, produto que existe em abundância no país e que reduz drasticamente o custo das cervejarias. Nosso país está entre os maiores produtores de transgênicos do mundo; aproximadamente 90% do milho brasileiro são não orgânicos.

Para saber do que é feito sua cerveja preferida, basta ler o rótulo da embalagem. Normalmente, a descrição diria: água, malte de cevada e lúpulo, ou água, cevada e lúpulo. No entanto, nas marcas nacionais citadas acima, a composição descrita retira o malte de cevada e inclui a expressão ‘cereais não maltados’. A ‘nova fórmula’ da bebida no Brasil começou a ser posta em prática a partir de 2007, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia liberou a comercialização de milho transgênico em território nacional. Esta mudança impede que o consumidor saiba do que realmente é feita a bebida, pois em todos os casos não é especificado que tipo de cereal é utilizado na fabricação da cerveja.

Em 2013, uma pesquisa de cientistas brasileiros da Unicamp, USP e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi publicada no “Journal of Food Composition and Analysis” (jornal científico internacional com estudos sobre a composição dos alimentos) demonstrando o alto grau de adulteração da cerveja brasileira. O consumidor deve, portanto, pensar bem antes de comprar a cervejinha para o churrasco. O risco de levar gato por lebre é grande.

Um comentário:

  1. Prof.Antônio, boa tarde.

    Não há desrespeito algum ao consumidor na adição de cereais não maltados. Muito antes da cevada outras coisas eram usadas e continuam sendo, e o produto é cerveja sempre. Além disso, a lei permite, aqui e em muitíssimos outros países.

    A celeuma toda começou porque os autores do artigo que o Sr. cita (de 2012) sao contra os transgênicos. Para que haja um contraponto ao que eles escreveram, sugiro a leitura de http://genpeace.blogspot.com.br/2012/10/cerveja-transgenica-mais-um-produto.html

    cordiais saudações acadêmicas
    Prof. Paulo Paes de Andrade
    UFCG/ Patos

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