quarta-feira, 25 de maio de 2016

PIRATARIA: POR QUE ESSE CRIME NÃO INIBE OS BRASILEIROS?

Pesquisa inédita revela por que as pessoas não se sentem culpadas ao consumir produtos pirateados

Você, com certeza, deve conhecer alguém que tenha o hábito de assistir a filmes em casa, antes mesmo de eles serem lançados e exibidos nas telas dos cinemas. Se você não conhece, talvez já tenha observado como é fácil comprar produtos piratas, sejam eles longas-metragens, séries, CDs de músicas e até mesmo livros.

Apesar de ser considerado crime, as pessoas têm tratado esse assunto com muita naturalidade. Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ) mostrou que um em cada três brasileiros assume consumir esse tipo de material.

Mas o artigo 184 do Código Penal é claro quanto a isso e considera crime qualquer reprodução, seja ela total ou parcial, do trabalho de um autor sem autorização do mesmo.

Mas, então, por que as pessoas seguem fazendo compras e acessos a produtos considerados ilegais sem qualquer peso na consciência?

Segundo um estudo australiano, essa atitude tem explicação. A pesquisa, realizada pelo laboratório de neurociência do Instituto Monash, investigou a reação do cérebro humano quando uma pessoa assiste a conteúdos digitais piratas, por meio on-line. Depois, os pesquisadores fizeram uma comparação quando o acesso se dá por meio de algo tangível, ou seja, algo material.

A conclusão foi curiosa. Segundo os questionários respondidos, os cientistas entenderam que as pessoas avaliam de maneiras distintas em seus cérebros os objetos tangíveis e os intangíveis (que não têm corpo físico). Ou seja: o acesso on-line a conteúdos ilícitos traz uma sensação de culpa menor ao usuário, porque eles afirmam não considerar o ato tão grave quanto comprar um objeto falsificado, por exemplo.

Por Ana Carolina Cury / edição 1259 Folha Universal

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