segunda-feira, 9 de maio de 2016

PEDAGOGIA DO ERRO

Pais e educadores que sabem lidar com as falhas das crianças podem contribuir, e muito, para o sucesso delas

Quando ouvimos falar que certa criança é um bom aluno ou uma boa aluna, a primeira coisa em que pensamos é que ela tem ótimas notas, não é? Pode até ser o que a maioria pensa, mas não é bem assim. Claro que um 10 no boletim tem muito valor, mas a experiência do ensino não pode ser resumida ao desempenho em uma prova ou a um número.

Quando um estudante não acerta uma resposta ou vai mal em um teste, a tendência é que alguns lhe apontem o dedo e outros até usem punições. Lógico que é importante não errar, mas há uma atitude que é tão inteligente quanto acertar logo de cara: parar para pensar sobre o erro. Por que ele foi cometido? Onde exatamente ocorreu? Como usar essa análise para evitar a mesma falha da próxima vez? Falamos aqui do exemplo das crianças na escola, mas essa estratégia pode formar um estilo que ajuda a pessoa a encarar tudo em sua vida.

Ao ser pressionado para sempre acertar, um aluno pode pôr todo o foco somente no resultado e não nos meios para chegar a ele. Alguns, visando somente a nota, até apelam para métodos fraudulentos, como a famosa “cola”. Mostrar um 10 para conquistar o orgulho de mestres e pais acaba sendo mais importante do que aprender a matéria em si – que deveria ser o principal. Não é o 10 escrito no canto superior da folha de teste que vai influenciar a vida futura da criança, mas o conhecimento adquirido e que a fez chegar àquela nota.

O erro não é você

Quando pais ou professores põem foco demais na nota baixa, podem, sem querer, incutir na criança que ela não é capaz de algo. Ela pode passar a pensar “eu sou uma falha ambulante” ou “não faço nada certo mesmo” e não que foi apenas uma atitude errada cometida – como não ter estudado o suficiente ou ter usado a estratégia ineficaz para chegar à resposta. Em vez de os orientadores e pais separarem um tempo para a criança, sentar com ela e fazer as mesmas perguntas das quais falamos anteriormente (por que e onde ocorreu o erro?) e, junto com ela, chegar a uma estratégia para não cometer a mesma falha, muitos apelam para o caminho mais fácil: punir ou acusar. Daí pode surgir uma “implicância” do pequeno, que vai acompanhá-la pela vida toda e pode até ser um bloqueio para que explore melhor a matéria escolar, com determinada disciplina ou com o professor.

Quando o foco de todos é o erro, a tendência é que o aluno fique estagnado nele ou regrida no aprendizado. Quando a mesma falha é vista como um desafio a ser vencido nas próximas etapas (provas, testes, trabalhos), entra em campo o exercício de duas coisas importantíssimas na vida de qualquer um: força de vontade e determinação. E mais: quando se sabe onde errou e como foi consertado, isso se fixa na mente e ajuda a impedir futuros passos em falso quanto ao mesmo tema.

A armadilha das emoções

Quando seu filho ou aluno vai mal, além da atitude já citada de sentar com ele e lhe dar atenção, é preciso mostrar-lhe como não cair na armadilha mais comum ao enfrentar um erro: usar a emoção. E que é hora de deixar os sentimentos negativos de lado e rever as atitudes sob uma nova perspectiva: a da razão. Fazer novamente aquelas duas perguntas “por que” e “onde” e, de posse das respostas, pensar no que pode ser melhorado da próxima vez. É usar o erro como um impulso para o acerto e não ficar “empacado” naquela falha do passado.

Segundo os pesquisadores, os alunos que souberam analisar seus erros escolares – inclusive com a ajuda dos professores e pais – tornaram-se adultos mais capazes de superar situações difíceis. Muito melhor do que a criança superar uma falha é ela descobrir sua capacidade de fazê-lo, o que vai acompanhá-la vida afora.

Edição 1257 folha universal

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