quarta-feira, 18 de maio de 2016

PAIXÃO AVASSALADORA TEM CURA?

Pessoas muito apaixonadas têm dificuldade para ver a realidade e agem mais por instinto. Entenda a origem desse sentimento e como viver um romance saudável

Coração acelerado, suspiros, tremores, euforia, suores e falta de apetite: esses são alguns sintomas da paixão. O intenso interesse por alguém pode provocar uma verdadeira revolução na rotina da pessoa apaixonada, que perde a concentração e passa boa parte do dia pensando no objeto do desejo. Movidas pela paixão, muitas pessoas tomam atitudes impulsivas e arriscadas.

Mas até que ponto esse sentimento transforma a vida de alguém? “A paixão pode acontecer de forma tão intensa que a pessoa fica ‘cega’, ela não vê a realidade. Ela lida com fantasias, de acordo com suas necessidades internas”, responde a psicóloga Rose Meiry Mattos Taranto, que atua em Belo Horizonte (MG).

Isso explica por que a pessoa apaixonada não consegue enxergar os defeitos do alvo de seus sentimentos. “Ela cria o objeto da paixão, que se torna a melhor pessoa do mundo, a mais bonita, a mais interessante, a mais perfeita. A paixão pode ser devastadora”, afirma.

Paixão cega?

A “cegueira” é o maior risco da paixão. Sem enxergar a realidade, muitas pessoas caem em armadilhas.  Quem nunca ouviu uma história de alguém que se apaixonou pela “pessoa errada”? A paixão avassaladora pode mesmo levar muitos homens e mulheres a investir em relacionamentos que têm tudo para fracassar.

A psicóloga Rose Meiry esclarece que algumas pessoas estão mais predispostas a isso. “A carência, a falta de afeto e a sensação de vazio interior podem fazer uma pessoa se deixar levar pela emoção, basta que alguém lhe dê uma palavra de carinho”, argumenta.

Para evitar ilusões, a especialista sugere usar o autoconhecimento e a razão. “É preciso se questionar se o relacionamento está sendo bom e o que ele acrescenta à sua vida. Você também deve se perguntar qual papel o par ocupa em seu imaginário. Em alguns casos, a pessoa pode estar buscando suprir a falta do pai, da mãe, a perda da juventude. Quando estamos com uma pessoa, temos que lembrar que ela não é perfeita e não veio para preencher um vazio, mas para caminhar ao nosso lado”, ensina.

O neurocientista e coach Aristides Brito diz que a paixão modifica a produção de certos hormônios no cérebro. “Quando estamos apaixonados, por exemplo, produzimos mais dopamina, um neurotransmissor que age no sistema límbico. Isso gera uma reação emocional forte e muitas vezes a pessoa não consegue raciocinar e fica mais instintiva. A reação é semelhante à da dependência química”, detalha.

Ele acrescenta que, em um segundo momento do envolvimento amoroso, outra substância entra em ação. “Outro neurotransmissor é a ocitocina, que fortalece o relacionamento”, esclarece Brito, que atua em Santos (SP) e é diretor da Marca Pessoal Treinamentos.

Apesar de não controlarmos esses efeitos químicos no cérebro, Brito diz que é possível evitar que a paixão provoque danos. “A produção de neurotransmissores está diretamente relacionada à questão da alimentação e da oxigenação do cérebro. A pessoa que leva uma vida mais equilibrada, com alimentação saudável, sem estresse e pratica exercícios físicos, tende a ter mais equilíbrio na paixão”, afirma.
Por Rê Campbell / edição 1258 Folha Universal


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