segunda-feira, 30 de maio de 2016

GOLPE, MORDAÇA, ESTUPRO: FARINHAS DO MESMO SACO

Neste momento de profunda dor, no qual todas nós nos sentimos estupradas por mais de 30 homens no Rio de Janeiro, minha indignação aumenta a cada instante, já que a cultura do estupro se aprende em todos os lugares nesta sociedade patriarcal, machista, misógina, racista, lesbofóbica, transfóbica e homofóbica. A cultura do estupro também se aprende na escola.

Um estupro acontece a cada 11 minutos no Brasil, de acordo com o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, cujos dados mais recentes são de 2014. Há um ano da atrocidade registrada em Castelo do Piauí (PI), quando quatro adolescentes foram vítimas de um estupro coletivo e atiradas de um penhasco, um caso parecido voltou a acontecer no estado. No mesmo dia em que a jovem da Zona Oeste do Rio foi violentada sexualmente por trinta e três homens, quatro adolescentes e um homem de 18 anos estupraram uma jovem de 17 anos em Bom Jesus (PI) – cidade de 22.000 habitantes que fica a 644 quilômetros da capital, Teresina.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 67% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por parentes próximos ou conhecidos da família; 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e apenas 10% dos estupros são notificados. A esmagadora maioria dos agressores não é punida. O que mostra a face mais cruel de uma cultura misógina, patriarcal, que desmerece, transforma em mercadoria e violenta as mulheres diariamente no Brasil.

O afastamento da presidenta Dilma, que significa um golpe nas liberdades democráticas, um golpe na nossa jovem democracia e sem dúvida um golpe em cada mulher e cada homem que legitimamente votaram na primeira mulher presidenta do Brasil, que por ser mulher sofreu todos os tipos de ataques e violências da imprensa golpista, de setores do Judiciário, de setores da Polícia Federal e da ala conservadora do Congresso Nacional que perdeu nas urnas e de maneira sorrateira e ilegítima desencadeou o golpe no Brasil. Repudiamos os ataques que a presidenta da República sofreu, que a atingiram principalmente na sua condição de mulher. Charges, memes, hashtags pornográficas, adesivos alusivos ao estupro da presidenta, reportagens de jornais e revistas traduzem o duro viés do discurso misógino, fundado no patriarcalismo estrutural, que existe na sociedade. Tudo é feito para incapacitar, para desconstruir a imagem de Dilma, enquanto gestora e mulher, aos olhos do povo, o que agride não só a ela, mas a todas as mulheres.

O projeto “Ponte para o atraso”, representado pela bancada BBB (Boi,Bala,Bíblia) e liderado por Temer e seu “machisterio”, significa retrocedermos nos direitos da classe trabalhadora – RASGAR A CLT – significa a criminalização dos movimentos sociais, perdermos os recurso do pré-sal, o aumento das privatizações, o fim dos programas sociais, a retirada dos direitos das mulheres, potencializando cada vez mais a agenda conservadora que vem sendo imposta pelo conjunto de valores que ganham muita força com este governo interino que representa e fortalece o patriarcado, a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro e a violência contra as mulheres: negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, prostitutas, ciganas, deficientes, enfim, todas as mulheres com suas diversidades e especificidades.

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