segunda-feira, 2 de maio de 2016

CIÊNCIA COMPROVA: MENTIR FAZ MAL

Estudo mostra que quem prefere a verdade pode ter ganhos substanciais na saúde física e mental, além de melhorar seus relacionamentos interpessoais

Fala-se muito sobre a mentira e seus males, inclusive é um assunto frequente aqui na Folha Universal. Não faltam pesquisas sobre o tema entre as principais instituições que estudam o comportamento humano em todo o mundo. Já nem é mais o caso de definir a prática de contrariar a verdade, pois isso já foi feito incontáveis vezes, mas de fazermos duas perguntas bem interessantes:

1. Por que as pessoas mentem?

2. Vale mesmo a pena mentir?

Vamos nos ater à primeira pergunta, por enquanto. Por que cargas d’água todo mundo sabe que mentir não é bom, tampouco aconselhável, e mesmo assim mente a torto e a direito, embora em diferentes intensidades? Bem, há vários motivos. O negócio é que, em muitos casos, as justificativas em que as pessoas se escoram para faltar com a verdade também são mentiras que elas contam a elas mesmas. Além disso, muitas mentiras não são apenas ditas. Algumas são ações. Então, vamos a alguns desses motivos de mentir, com alguns exemplos (que não são poucos):

• Orgulho – Querer parecer superior ao que realmente é. Bancar o intelectual sem se dar ao trabalho de realmente estudar ou ler. Roubar os créditos por um trabalho que não fez e ser felicitado no lugar do verdadeiro autor é algo bem comum até nos meios científicos. Em resumo, é uma questão de ego.

• Evitar magoar alguém – É uma das desculpas mais usadas pelos “mentirosos com causa”.

• Vergonha – Quem não conhece alguém que mente ter uma origem humilde, que usa roupas caríssimas para que pareça pertencer a uma classe financeira acima da real, esconde um problema de saúde para não ser alvo da pena alheia (ou da fuga das pessoas, se o mal for contagioso).

Correr das consequências de algo – Um criminoso que não confessa ou nega o que fez para não ser preso, por exemplo. Está na moda, inclusive, se considerar “a alma mais honesta” que existe. O menino que esconde o boletim com notas baixas para não ficar de castigo, entre outros.

• Ganhos imerecidos – Inserir custos que não existem para pôr preço em alguma mercadoria, algo bem praticado, aliás. Conquistar um emprego “exagerando” no currículo. Promessas políticas de campanha que não serão concretizadas só para ganhar votos.

• Insegurança – Manipular um cônjuge com proibições para não perdê-lo para a “concorrência” é bem comum, infelizmente.

Aceitação de um grupo – Não é incomum jovens experimentarem drogas lícitas e ilícitas só para serem aceitos pelos “amigos”, embora essa não seja, por vezes, uma vontade legítima. Vestir-se de um jeito que não tem nada a ver com sua personalidade só para sentir-se integrado.

• Baixa autoestima – Entra no mesmo caso acima, o de ser aceito, pois depende da aprovação alheia, já que não se aprecia.

• Preguiça – Para muitas pessoas é mais conveniente parecer o que não é do que realmente batalhar para ser daquele jeito.

• Preservar a reputação – Também não é pouco comum personalidades que posam de pilares da moral e, no entanto, praticam perversões e atos desonestos.

Depois de vermos algumas causas e exemplos, a questão seguinte é: vale a pena cometer ações como as citadas e correr o risco de perder o que ganhou quando a verdade for revelada? Psicologicamente, moralmente até, não precisamos nem de dados científicos para sabermos que não. Lembra-se da historinha infantil Pedro e o Lobo? O menino do título colocava toda sua aldeia em polvorosa gritando que apareceu um lobo na vizinhança e era uma correria só, até verem que o garoto ria e se divertia com a agitação. Volta e meia, ele repetia a peraltice. Até que um dia o travesso deu de cara com um lobo de verdade e deu o alarme. Cansadas das mentiras, as pessoas não deram bola. E lá se foi Pedrinho, que virou a refeição do animal. Isso é chamado de descrédito, que é o que um mentiroso ganha até mesmo quando fala a verdade.

Por Marcelo Rangel / edição 1255 Folha Universal

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