segunda-feira, 4 de abril de 2016

VIOLÊNCIA NA TV: MÁ INFLUÊNCIA PARA MENINOS

Estudo mostra que programas com personagens violentos podem formar futuros agressores

Garotos tendem a ser influenciados pela violência na televisão, segundo um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Michigan (UM), nos Estados Unidos. A pesquisa revelou que meninos que assistiam a programas violentos, como séries e filmes de ação, identificavam-se com os personagens do mesmo sexo e tendiam a achar a violência vista na TV como exemplo da realidade. Isso os influenciou a mais tarde, na vida adulta, tomarem atitudes violentas sem pensar.

O estudo levou em consideração o conteúdo televisivo assistido pelos pequenos desde a década de 1970, acompanhando-os até a idade adulta. Os dados encontrados mostram que a influência para um futuro comportamento violento é uma realidade, independentemente dos níveis de agressividade já presentes nas crianças antes da pesquisa, suas diferenças de capacidade intelectual, classe social e criação dada pelos pais.

Os analisados, agora adultos, alegaram que assistiam a séries policiais, desenhos animados e filmes em que os personagens praticavam atos violentos, ainda que em alguns casos com uma intenção humorística. As esposas e amigos deles também foram entrevistados sobre a frequência e a intensidade de seus atos violentos. Os que viam mais programas violentos eram três vezes mais propensos a cometer infrações, crimes e atitudes como empurrar e agarrar as mulheres, ou responder a um insulto com agressividade.

Porém, o que pesa não é a violência em si, mas como ela é mostrada na história e suas consequências. Os personagens violentos com os quais os futuros agressores em potencial se identificam e tendem a imitar são aqueles que “saem ganhando”, sem punição. O menino corre o risco de entender, em sua percepção ainda em formação, que isso pode ser vantajoso na vida real.

Os pesquisadores dão um exemplo: uma história em que um policial violento é recompensado ou elogiado por matar criminosos é mais prejudicial do que quando um assassino sangrento é preso e devidamente levado à justiça. No segundo caso, fica bem claro que o autor do crime deve pagar pelo que fez e pelos danos que causou à vida de alguém. O garoto que assiste entende que o crime realmente não compensa.

Os psicólogos da UM dão uma dica importante aos pais e responsáveis: assistir à TV junto com os garotos, comentando as histórias com eles, reduz os efeitos das más influências, pois diminui a identificação dos meninos com o personagem violento. Isso ajuda a criança a perceber que aquela violência não é real e que não vale a pena repeti-la. “Uma análise do conteúdo do programa por parte dos adultos é mais efetiva do que somente levarem em conta a indicação por idade que os programas apresentam”, indica o estudo.

Por Marcelo Rangel / edição 1250 folha universal

Nenhum comentário:

Postar um comentário