segunda-feira, 4 de abril de 2016

EM NOME DA PAZ? SOLDADOS DA ONU OFERECEM ALIMENTOS EM TROCA DE SEXO

Denúncias de abusos aumentam e entidade internacional pouco faz para mudar a situação

Se você ouvisse a notícia de que soldados e funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU), integrantes das forças de paz em países com conflitos militares, são alvo de denúncias de abuso sexual, você acreditaria?

No início deste mês, a própria ONU divulgou um comunicado sobre o abuso de crianças e adolescentes por seus soldados na República Centro-Africana em 2015. O objetivo do documento apresentado foi o de “nomear e envergonhar” os responsáveis pelo escândalo.

O secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, listou 99 denúncias de abusos sexuais cometidos por funcionários da organização em missões internacionais. Do total de casos denunciados no ano passado, 69 foram de abusos cometidos por soldados em missões de paz e 30 por funcionários da ONU em outros setores.

A maioria das denúncias vem de países africanos, como Gana, Senegal, Madagascar, Ruanda, República Democrática do Congo, Burkina Fasso, Níger, África do Sul, Benin e Nigéria. A lista também aponta exploração sexual no Haiti.

De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da organização, há relatos de que soldados ofereceram água e alimentos a crianças em troca de sexo oral. “Uma menina de sete anos nos disse que fez sexo oral em soldados franceses em troca de uma garrafa de água e um pacote de biscoitos.”

A ONU pede que os países dos acusados julguem os culpados, e também a criação de um banco de amostras de DNA de seus soldados, para facilitar os processos criminais. Mas, além dessas recomendações, nada mudou. Por isso, a organização não governamental (ONG) Code Blue, que monitora as denúncias contra soldados das Nações Unidas, fez fortes críticas sobre a falta de ação da entidade. “O que a ONU fez exatamente diante das mais de mil denúncias de abuso sexual contra seus funcionários desde 2007? Debaixo da máscara de que toma alguma providência, o que realmente existe é a inércia”, informou a ONG em um comunicado.

Para deixar a situação ainda mais triste e alarmante, investigadores da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denunciaram, no mês passado, a violação ou abuso sexual de pelo menos oito mulheres e meninas na República Centro-Africana. Os ataques aconteceram entre outubro e dezembro de 2015.

Para a Code Blue, a ONU vive em universo paralelo de burocracia e não consegue resolver a questão. “O fato de que o problema persiste, apesar de inúmeros relatórios de especialistas designados pela ONU nos últimos dez anos, só serve para aumentar a percepção de que a organização está mais preocupada com a retórica do que com a ação.”

Este parece ser realmente o ponto. Para uma entidade de nível internacional e de tamanha responsabilidade, a ONU parece deixar a desejar. É preciso agir com medidas efetivas. É inadmissível que um órgão criado para defender os direitos humanos viole a dignidade de crianças e jovens de forma tão cruel e agressiva.

Por Eduardo Prestes na Folha Universal 

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