quinta-feira, 24 de março de 2016

PARA NÃO SER CAÇADO, CUNHA SE ESCONDE ATRÁS DE IMPEACHMENT DE DILMA

Presidente da Câmara impõe ritmo acelerado no impeachment de Dilma, mas, como réu da Lava-Jato, quer que processo no Conselho de Ética, que pede sua cassação por quebra de decoro, ande em marcha lenta. Colegiado, no entanto, quer ampliar o rol de acusações contra Cunha.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é presidente da Câmara dos Deputados, réu da Operação Lava Jato e responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Casa. Mas apesar do histórico nada favorável, lidera as ações contra a presidenta Dilma Rousseff, numa tentativa de “moralizar” o país e fazer uma cortina de fumaça no que se refere à sua possível cassação.

Para tanto, o parlamentar tem organizado duas frentes: a aceleração da análise do impedimento de Dilma e o retardamento da sua cassação, por meio de novas manobras no Conselho de Ética encabeçadas por aliados.

No entanto, essas tentativas podem sair pela culatra. Depois que os advogados de Cunha esperaram até o último minuto para sua defesa ao conselho, na segunda-feira (21), no dia seguinte o colegiado decidiu pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) o compartilhamento do processo e das investigações contra o presidente da Câmara. Com isso, será ampliada a acusação contra Cunha.

Atualmente, o parlamentar responde na Casa apenas por ter mentido aos seus pares, quando negou ter contas no exterior durante depoimento na CPI da Petrobras. Já no Supremo, Cunha é investigado por participar do esquema de propina em contratos da Petrobras. Com a documentação que deve ser enviada pelo STF e pela PGR, Cunha dever responder no Conselho de Ética também pela suspeita de recebimento de propina.

Para o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA), é preciso ficar claro para a população quem é o “chefe do impeachment”. “As pessoas têm que se dar conta de que quem está comandando este processo é uma pessoa que está sendo investigada, que é ré no STF, que tem farta documentação e fatos o envolvendo em corrupção. Não é possível que uma pessoa com este perfil comande o processo de impeachment. Sobretudo, porque numa possível confirmação do impedimento de Dilma, ele pode vir a ser o presidente da República. Isso é um absurdo”, afirma.

Por hora, o que fica claro é a estratégia de Cunha de se esconder atrás do impeachment de Dilma. O parlamentar tem se beneficiado do atual momento, em que as atenções estão voltadas para Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele deixou de ser a figura central do debate. Mas não podemos deixar que se esqueçam das denúncias contra ele. Até a oposição, em um determinado momento, disse que só retomaria os trabalhos da Casa se ele se afastasse, mas agora compactua com Cunha para dar andamento ao processo de impeachment. A mídia também se esqueceu de Cunha, mas não podemos permitir”, reforça Daniel Almeida.

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