quinta-feira, 24 de março de 2016

AVISO AOS GOLPISTAS QUE TRAMAM CONTRA O BRASIL

"Nós não vamos aceitar, passivamente, de braços cruzados, um golpe contra as instituições democráticas, contra os trabalhadores e contra o Brasil. Não estamos mais em 1964. Se houver um golpe, poderemos fazer tudo o que foi feito lá atrás para estabelecer a verdadeira democracia e garantir as conquistas e direitos dos trabalhadores brasileiros" (A. Neves)

Por José Eduardo Bernardes, no Brasil de Fato

Lula cumprimenta sindicalistas em SP/ Foto: José Eduardo Bernardes/CPMídias
      
Em encontro com sindicalistas na noite desta quarta-feira (23), o ex-presidente Lula deixou de lado o tom conciliador para mandar recados diretos aos seus adversários políticos e à grande mídia. Durante quase uma hora de discurso, o ex-presidente se disse “enojado com o comportamento de determinados setores de comunicação” e revelou que, na próxima semana, pedirá aos deputados e senadores, “seis meses para o país volte a ser o país da alegria”. A reunião com membros de centrais como a CUT, a CTB, o Sindicato dos Metalúrgicos e dos Bancários, aconteceu na Casa de Portugal, no centro de São Paulo (SP).

“Eu tratava com muito respeito a Rede Globo, o respeito que eles não têm comigo. Eu tratava com muito respeito a Record, eu tratava com muito respeito o SBT. Desde aquele que tinha 1% de audiência até aquele que tinha 100%, era o mesmo tratamento. Nunca faltei com o respeito com eles. Mas quero dizer que estou enojado com o comportamento de determinados setores de comunicação, que transformam em divulgação de coisa pública, falas particulares minhas no telefone. É um desrespeito à ética, à pessoa humana. Mas não tem problema, eu não farei o jogo rasteiro que eles fazem comigo. O tempo vai se encarregar em dizer quem está certo ou não”, disse o ex-presidente.

Lula apontou que o discurso de ódio que toma conta do país também está relacionado às tendências oposicionistas da grande mídia e à perseguição ao governo. “Esse ódio que foi criado nesse país, nós sabemos quem criou. Nós sabemos todo dia quando chegamos em casa e ligamos a televisão. Não é nenhuma dona de casa, não é nenhum trabalhador desse país, nenhuma empregada doméstica, nenhum pequeno advogado, nenhum profissional liberal. Esse ódio é quase que um ódio ideológico”.

Sobre as acusações de que seria dono de um tríplex no Guarujá, o ex-presidente disse que a mídia tenta evitar seu retorno à política, ligando sua imagem à propriedade no litoral paulista. “Eles dizem: vamos dizer que é dele e o povo acredita. Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, descobriram que a Globo tem um tríplex maior que o meu”, comparou, referindo-se a uma casa em Paraty (RJ) que seria de propriedade da família Marinho.

Lula disse também “não ter medo do combate à corrupção” e pediu que o judiciário brasileiro não se alie à mídia para criar “pirotecnias”. “O que nós não queremos é que eles façam pirotecnia com pessoas, que são condenadas pelas manchetes de jornais antes de serem julgadas”.

As iniciativas da oposição, de levar a presidenta Dilma Rousseff ao impeachment foram classificadas pelo ex-presidente como “tentativa de golpe”. Lula afirmou que a oposição precisa aprender a “ficar calma”.  “Porque democracia é assim: a gente perde e a gente ganha. Quando a gente ganha, a gente faz festa, quando a gente perde, espera o próximo ano. O que a gente não pode aceitar é o ódio destilado nesse país”.

O ex-presidente revelou que foi convidado a assumir o Ministério da Casa Civil em agosto do ano passado, mas declinou do convite à época por achar que “um ex-presidente, conviver com um atual presidente não é uma coisa fácil”. Mas, segundo ele, “agora, com a crise política e com a crise mundial não se resolvendo e os adversários cada vez mais apertando a Dilma, resolvi aceitar”.

 Lula disse ter plena consciência de que pode auxiliar à presidenta com aquilo que mais sabe fazer: conversar. “Conversar com o mais pobre, com o mais rico, conversar com quem é  a favor, com quem é contra, ouvir as pessoas. E vocês sabem, que nunca na história desse país, um presidente conversou tanto com sindicalistas, como eu conversei”.

 Na próxima semana, o ex-presidente disse que vai à Brasília para começar a atuar informalmente como interlocutor do governo com o legislativo, enquanto impasses jurídicos impedem sua posse como ministro da Casa Civil. Lula disse que pedirá aos deputados e senadores seis meses para trazer “esperança” ao governo da presidenta Dilma.

“É por isso que eu quero, na semana que vem, fazer um apelo aos deputados e aos senadores: deem para a gente, seis meses de paciência, que nós vamos provar que esse país vai voltar a ser o país da alegria, vai voltar a discutir uma política econômica que traga esperança, porque o ser humano é tocado à esperança”.

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