terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

VICIADO NO CELULAR?

Dados assustadores: uma pesquisa feita pela Deloitte aponta que o brasileiro olha seu smartphone, em média, inacreditáveis 78 vezes por dia. As mulheres, 89 vezes. Os homens, 69. Jovens de 18 a 24 anos checam 101 vezes por dia, duas vezes mais que as pessoas entre 45 e 55 anos.

Conheço um rapaz cuja esposa passa o dia inteiro no celular a ponto de prejudicar seriamente o relacionamento. Ele já reclamou, mas ela reage agressivamente, como se tivesse o direito de passar o dia colada ao aparelho, ignorando o marido. Quase zumbi, não percebe o casamento escorrer pelos seus dedos enquanto segura o smart-phone. Um excelente marido que não terá paciência para sempre.

Tão dependentes, as pessoas não se dão conta de que suas vidas, suas mentes e seu tempo estão sendo roubados. Quando abrirem os olhos, talvez culpem o azar ou os outros. Mas, sem estarem acordadas, jamais perceberão o próprio erro.
O maior problema dessa escravidão é que ela dá a sensação falsa de liberdade, de controle. O excesso de informação e as distrações são entorpecentes. Enquanto está sob os efeitos desses tóxicos, você não sente a dor e se desliga dos seus problemas. Você se sente importante (veja quantas curtidas! Quantos seguidores! Quantos comentários!). Você se sente amado.

Cria uma vida para consumo externo. As viagens são todas ótimas, todos os dias são lindos. A vida fica mais bonita com filtro; mais dramática, mais alegre. Está sempre dando a volta por cima, sempre forte, sempre rindo. Sempre cercado de amigos. Sempre interessante. Como convencer alguém assim a desligar o celular e encarar sua vida vazia?

Smartphones e tablets sugam seu cérebro e o deixam escravizado à rede. O recurso de saber se sua mensagem foi visualizada o obriga a responder e a se manter na conversa, a se manter disponível mesmo quando não está. Se cair nessa, é um poço sem fundo.

O segredo – que não é segredo algum – é tomar as rédeas e colocar as coisas em seus devidos lugares: a tecnologia é uma excelente ferramenta, mas quem tem de estar no controle é você. Caso contrário, ela será um meio e você será a ferramenta a ser manipulada por quem realmente está no controle da coisa toda.

Se perceber que sua vida sem internet é vazia e sem graça, e que você acaba fugindo para o mundo virtual sempre que precisa enfrentá-la, pare agora mesmo. Pare tudo. Encare sua realidade e assuma o compromisso de mudar. Identifique o problema e trabalhe por sua libertação. Sacrifique o que for preciso para isso. Está ao alcance das suas mãos.

Por Vanessa Lampert/edição 1243 folha universal

Nenhum comentário:

Postar um comentário