segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

RACISMO DENTRO DO AVIÃO DA TAM

Por que casos como esse continuam ocorrendo no Brasil?

Se você acha que os casos de racismo no Brasil são situações isoladas e que não ocorrem em qualquer lugar, está enganado. O episódio mais recente e que provocou a revolta de muitas pessoas aconteceu no final de dezembro do ano passado, em um voo da companhia TAM, quando um grupo de jovens artistas sofreu ofensas dentro de um avião que saiu de Brasília em direção a São Paulo. Os artistas voltavam do Distrito Federal, onde haviam participado da 3ª Conferência Nacional da Juventude, que reuniu por quatro dias cerca de 5 mil jovens de todo o Brasil e onde se discutiu, entre outros temas, justamente a questão racial no País.

Segundo o relato, um homem branco teria enviado uma mensagem, usando palavras de baixo calão e com teor racista para um colega (também branco) sentado a algumas poltronas de distância, dizendo que depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia ficou fácil andar de avião. Em outra mensagem ainda teria dito ao mesmo amigo: “Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”, referindo-se a uma das jovens negras do grupo. É óbvio que isso alimentou uma discussão com todos que estavam envolvidos naquela situação.

Os comissários de bordo ameaçaram chamar a Polícia Federal e os jovens concordaram que isso fosse realmente feito, afinal estavam sendo vítimas de racismo, um crime inafiançável no Brasil. Mas a tripulação não chamou a polícia. Em vez disso, promoveu apenas a mudança de lugares dos agressores e o voo seguiu seu destino. Entretanto, durante a viagem, os jovens perceberam que um dos agressores foi convidado pelos comissários a conversar separadamente atrás das cortinas do serviço de bordo sobre o que havia acontecido e a discussão recomeçou.

O que diz a Lei

Racismo é crime inafiançável desde 1988. No entanto, uma das coisas mais difíceis é exatamente a caracterização do crime de racismo. A maioria dos casos é registrada como “injúria racial”, cuja lei estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. De acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Parece inacreditável que, em pleno século 21, ainda se fale sobre esse tema e existam casos de racismo no Brasil e no mundo, mas eles continuam acontecendo com frequência cada vez maior e nos lugares mais comuns. Infelizmente, atitudes como a de empresas e pessoas que fingem não enxergar ou que, de alguma forma, não tomam as medidas corretas e necessárias, como realmente chamar a polícia para prender em flagrante quem praticou o ato racista, só colaboram para que mais situações assim aconteçam. Dessa forma o tempo passa e o racismo não acaba, pois quem pratica o mal parece nunca ser punido.

Por Eduardo Prestes /edição 1246 folha universal

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