terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MACHÃO AO VOLANTE, PERIGO CONSTANTE

Os machistas cometem mais imprudências na condução de veículos, segundo um estudo norte-americano

Julie Langlois, psicóloga da Universidade de Montreal, no Canadá, realizou uma pesquisa para detectar se há alguma relação entre a masculinidade fora dos limites aceitáveis – leia-se “machismo” – e os riscos ao conduzir veículos.

Os voluntários tiveram seu desempenho medido em um simulador de direção. Era dada uma tarefa em determinado percurso, mas nada era falado quanto a contravenções ou ao foco da pesquisa ser o machismo. Eles só eram informados de que outros motoristas tinham realizado a mesma rota em sete minutos.

A maioria dos que conseguiram cobrir o percurso em menos de cinco minutos cometeu uma série de procedimentos perigosos, como cortar pela direita, sair da pista em alta velocidade, usar a contramão de forma imprudente e até colisões ou esbarrões. Os que não caíram na armadilha do “desafio” machista esperavam o momento certo para fazer as ultrapassagens e acelerar, por exemplo. Esses últimos realizaram a tarefa em cerca de 12 minutos, o que era aparentemente decepcionante, mas o fizeram com uma margem de perigo bem menor do que a dos “gladiadores da estrada”.

Segundo os resultados, o machismo de alguns condutores prejudica significativamente a tomada de decisão na pista, o que representa riscos muitas vezes desnecessários e que colocariam a segurança dos motoristas e de terceiros em perigo em um percurso real.

O carro exerce certa influência sobre os “fracos” de cabeça. Jacques Bergeron, orientador de Julie na pesquisa, também havia feito pouco antes um estudo sobre caras “apaixonados” pela direção. “Essa paixão, em alguns homens, chega à obsessão. É bem mais do que somente ‘mimar’ seu carro na garagem numa manhã de sábado. Eles veem seus automóveis como uma extensão de seus próprios corpos e muitos se tornam extremamente agressivos na estrada”, observou o psicólogo.

Sim, o veículo assume o papel de uma armadura como a do Homem de Ferro da ficção, o que pode dar a ilusão de mais “poder” ao condutor. Com isso alguns caras dão vazão à agressividade, sentindo-se mais “machos”.

O motorista machista acha que dirigir agressivamente e de forma arriscada lhe permite expressar o que ele acha que é “masculinidade”, cita a psicóloga canadense em seu relatório. Nada mais que uma ridícula necessidade de autoafirmação e de estabelecer sua imagem perante tolos e tolas que se impressionam com isso.

Diz um velho ditado de para-choques de caminhão no Brasil que “é melhor chegar mais tarde em casa do que mais cedo ao cemitério”. Sábio conselho. Testosterona é algo muito bom, mas só se for usada a nosso favor. De preferência usando o cérebro.

Por Marcelo Rangel / edição 1243 folha universal

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