quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

CARNAVAL DE RUA CONTRIBUI PARA APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS, DIZ PESQUISADOR

O geógrafo Alessandro Dozena, autor do livro A Geografia do Samba na cidade de São Paulo, lembra que essa movimentação faz parte da história da capital paulista há décadas.

Por Camila Maciel,Da Agência Brasil
             
Nos últimos dois anos, o número de blocos de rua que desfilam no carnaval paulistano cresceu aproximadamente 40%, segundo cadastro da prefeitura de São Paulo. Sem corda, grades ou abadá, a festa tem movimentado a cidade nas semanas que antecedem os dias oficiais do carnaval e começa a atrair mais foliões para o feriado. A estimativa do governo municipal é que 2 milhões participem das festas de 29 de janeiro a 14 de fevereiro. Somente no último fim de semana, mais de 400 mil pessoas acompanharam os blocos na capital paulistana.

O geógrafo Alessandro Dozena, autor do livro A Geografia do Samba na cidade de São Paulo, lembra que essa movimentação faz parte da história da capital paulista há décadas. Inicialmente com a opulência dos corsos, com o desfile de famílias ricas em carruagens; os cordões carnavalescos, com a presença marcante do bumbo; a extravagância das escolas de samba e, mais recentemente, a irreverência dos blocos de rua. Para ele, os blocos ganharam força nos últimos anos pela necessidade do paulistano de momentos de "expressão e manifestação de relações sociais”.

A Agência Brasil entrevistou o pesquisador para refletir sobre o atual momento do carnaval em São Paulo. Para ele, a festa é uma prática de resistência que contribui para a produção de outros modelos de vivências com a cidade.

“O carnaval de rua é acompanhado do improviso, da resistência às normas e ao que é disciplinador. Temos nele uma lógica da improvisação em que o ambiente urbano é apropriado e a espontaneidade permite um contraponto ao artificialismo da realidade cotidiana”, analisa.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

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