sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A POLÍTICA DO ENCARCERAMENTO

“Do ponto de vista eleitoreiro, é mais interessante construir um presídio do que evitar o encarceramento”, afirma defensor

Bruno Shimizu, do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria, contesta visão de Alckmin (PSDB) de que mais prisões significam maior eficiência em segurança pública.

Em mensagem oficial para marcar a volta do recesso da Assembleia Legislativa de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que “a eficiência das polícias de São Paulo pode ser mensurada pelo crescimento da população prisional do estado”. O comunicado foi publicado no Diário Oficial do Estado na última terça-feira (2).

“Em 31 de dezembro de 2010, ela [a população prisional] era composta por cerca de 171 mil pessoas, chegando a 226 mil presos no final de 2015”, afirmou Alckmin, também ressaltando que “outras 17 unidades prisionais, que irão gerar mais 13.056 vagas, estão em obras”.

Para Bruno Shimizu, coordenador do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo, ao contrário do que o governador comemora, os números do encarceramento em massa no estado só demonstram a “ineficiência e o erro político desse modelo de segurança eleito pelo governo”, que investe mais no policiamento ostensivo do que no investigativo.

“Existe uma opção dessa gestão de se prender os mais pobres, a criminalidade menos danosa, com um corte étnico e social claro, ao invés de estabelecer uma política pública que envolva investigação e a inteligência. Quem a polícia está prendendo é o 'vapor', a 'mula' do tráfico, ao passo de que o grande traficante, que não está na favela, está completamente invulnerável a essa política de segurança pública”, explicou.

Shimizu usa como base as informações do Levantamento Nacional de Informação Penitenciária (Ifopen) para mostrar que essa lógica é também alastrada por todo o país, onde quase 90% dos presos tiveram processo de alto de prisão em flagrante, ou seja, que não houve investigação que levasse a prisão deles.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o defensor ainda aponta que o modelo de políticas públicas baseado no discurso policialesco é rentável econômica e politicamente e alerta para o Projeto de Lei do Senado (PLS) 513/11 que prevê a privatização dos presídios brasileiros. 

Confira abaixo entrevista na integra: Por Bruno Pavan, no Brasil de Fato

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