terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A ILHA DE SANT’ANA SEM PAI E SEM MÃE

O chamado Complexo Turístico Ilha de Sant’Ana sempre foi relegado ao segundo plano pelas nossas autoridades públicas municipal e estadual. A realidade atual não é diferente

Segunda-feira de carnaval em Caicó foi de protesto e reivindicação em favor da Ilha de Sant'Ana

Texto de João Brás – professor e advogado caicoense

A Ilha de Sant’Ana foi inaugurada em 2008 e, já na sua inauguração, foi entregue à cidade de Caicó faltando as três pousadas previstas no projeto original, onde cada uma disporia de 20 unidades de hospedagem e que seriam localizadas no início da Avenida Beira Rio, na rótula do poço de Santana, embora tenham sido gastos algo em torno de 18 milhões de reais à época.

Desde sua inauguração, a Ilha tem sido relegada ao segundo plano pelos Poderes Públicos estadual e municipal, sendo a mesma de interesse público municipal apenas quando para dela se extrair dividendos para o município. Quando o assunto é manutenção, investimentos e gestão da Ilha, esta fica sem pai e sem mãe, relegada à condição de uma filha que vaga em meio ao abandono, onde nem o Estado, nem o Município quer assumir sua paternidade.

Mesmo a Ilha de Sant’Ana sendo a maior praça pública de eventos de Caicó e da região, onde se realizavam os maiores eventos turísticos de nossa cidade como: a Festa de Sant’Ana, O carnaval, o Moto Fest, Festival Gastronômico, a Feira de Negócios e Expoboné, dentre outros, a Ilha hoje continua interditada ao grande público, sendo possível a sua ocupação por apenas 200 pessoas quando sua capacidade chega a algo em torno de 3.000 mil pessoas, além do anfiteatro que comporta algo em torno de 1000 pessoas sentadas.

Este é o resultado das últimas gestões municipais e da atual que menosprezam a importância desta grande praça de eventos que nós caicoenses temos o privilégio de ter, mas não sabemos por quanto tempo.

Nossos gestores municipais, por falta de uma ação administrativa responsável, zelosa e planejada, levaram nossa Ilha a ser interditada pelos órgãos fiscalizadores, deixando Caicó realizar um de seus maiores eventos turísticos (o carnaval) em meio ao caos e com o surgimento de vários problemas que não tínhamos quando a Ilha também era palco de nossos carnavais.

Aliás, o abandono da Ilha pelos órgãos públicos responsáveis caminha na mesma rota de abandono que seguiu o nosso Castelo de Engady, que hoje se encontra invadido e extremamente deteriorado como se aquele cartão postal também não fosse importante instrumento para fortalecer o nosso turismo ainda incipiente. Pergunta-se: após a derrubada do castelo de Engady e a interdição da Ilha de Sant’Ana qual o próximo espaço público que iremos perder?

A grande verdade é que nossas últimas gestões municipais, por falta de um Projeto edificante para o nosso município, tem relegado o nosso desenvolvimento, o nosso futuro a uma atuação improvisada e sem maiores compromissos com a nossa cidade e com o nosso povo. O carnaval deste ano, no que pese a grande presença de visitantes, é um bom exemplo deste improviso.

Caicó precisa retomar, urgentemente, a rota do crescimento, da dignidade de seu povo e do zelo pela coisa pública.

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