sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

MERCADO DE TRABALHO PRATICA RACISMO VELADO

Em muitas empresas a cultura discriminatória é praticada de maneira velada nos processos de seleção, por exemplo. Ela citou a admissão em cargos administrativos que exigem qualificação. “Vai uma mulher negra, uma branca e um homem branco. A mulher negra sofre a eliminação ali e principalmente se tiver filho

A secretária da mulher trabalhadora da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (SP), Gicélia Bitencourt, afirmou que em um ano que está no cargo visitando empresas em São Paulo identificou apenas uma, no ramo da construção imobiliária, em que a diversidade é presente no cotidiano dos trabalhadores.  “Não está escrito que tem cota, mas ela é colocada em prática”, disse.

A falta de oportunidades para as mulheres e principalmente as mulheres negras também contribuem para as práticas discriminatórias. “A mulher do chão de fábrica não tem essa consciência, ela vê que não tem capacidade e que tem que se apegar aquela firma porque em outro lugar não vai se firmar pela idade, pela escolaridade. Acaba se tornando escrava e aceitando certas condições”, disse Gilcélia.

Na opinião dela, o enfrentamento a essa falta de perspectiva é a conscientização e o empoderamento da mulher, feita pelas centrais e pelos sindicatos, através dos seminários, assembleias nas portas das empresas, encontros de mulheres e outros mecanismos.

Para o tesoureiro da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Julião Vieira, os dados divulgados pela pesquisa não são novidade para o movimento negro mas são importantes para subsidiar as políticas públicas na capital.

“É um dos desafios do movimento negro e poder público inserir o negro no mercado de trabalho. Tirar ele dessa condição de subemprego, ocupação ambulante e baixos salários. Para isso precisamos de mais políticas e ações, seja no poder público e nas empresas privadas. Nesse sentido a pesquisa, com base científica, vem ajudar nesse esforço”, disse Julião.

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