quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

OCUPAÇÃO DO MST NA EMPARN É LEGÍTIMA!

Por professor Antônio Neves

Alguns neocoronéis do Seridó, mais precisamente de Caicó, donos de terras improdutivas que em nada tem contribuído para o desenvolvimento do campo em nossa região, estão tremendo nas bases com medo de terem suas terras ocupadas por quem realmente deseja nelas produzir

Depois que integrantes do MST ocuparam pacificamente terras improdutivas da EMPARN, na localidade do açude Mundo Novo, setores reacionários e privatistas de Caicó, que secularmente são donos de quilômetros de terras ociosas sem nada produzirem, estão a munir todas as suas “armas” imaginando que terão suas propriedades também ocupadas por trabalhadores e trabalhadoras rurais que buscam democratizar os seus meios de produção para a maioria dos que querem nela trabalhar e não tem aonde.

Ocupações de terras na nossa região são algo que se dá tardiamente, fato inédito no confronto das relações de poder conservadoras e privatistas que faz com que alguns latifundiários especuladores, autoritários, improdutivos e quase que escravocratas exploradores do trabalho de algumas centenas de trabalhadores rurais desassistidos e mal pagos, comecem a tirar a bunda da cadeira para defender seus patrimônios; muitos adquiridos pela lógica hereditária que a tradição patrimonialista brasileira chama de direito a propriedade privada, (usucapião, pose, herança, títulos...) mesmo que seja somente para fazer da terra um meio de especulação no mercado financeiro imobiliário.

O campo no Seridó está praticamente vazio, sem quase nada produzir e abandonado pelas famílias ricas ou pobres, donas de terras que se perdem em meio à seca e a desintegração social pela falta de políticas públicas para os pequenos produtores rurais (estes, inclusive, nada têm a temer quanto à integridade de suas propriedades). Tal situação faz com que novas medidas e ações quanto ao uso e exploração sustentável da terra sejam estabelecidas por quem realmente nela queira assentar morada, produzir e alimentar a cidade, recebendo do Estado todo o apoio e investimentos, a começar pela reforma agrária.

Devido à ocupação ocorrida na EMPARN pelo MST, movimento social organizado comprometido com uma das causas mais nobres de toda a humanidade, que é a de cobrar e reivindicar terra para quem não tem; nos últimos dias alguns segmentos do empresariado rural local tem se levantado da forma mais reacionária contra o MST e a ocupação ocorrida, argumentando em cima da defesa do Estado Democrático de Direito e da Constituição, (nestas horas a Constituição só é observada quando para garantir os interesses das elites dominantes), na tentativa de confundir o verdadeiro papel e objetivo do MST e negar um dos princípios da própria Constituição, que é o do direito e democratização da terra com a promoção da reforma agrária.

O que temem os empresários rurais de Caicó?

Se as ações do MST giram em torno de terras improdutivas e ociosas, e se os produtores rurais estão em suas terras produzindo para o desenvolvimento local, os argumentos usados até então não passa de medidas temerárias na defesa corporativista da preservação apenas do latifúndio que não consegue exercer a finalidade para a qual a terra se dispõe que é a da cultura, cultivo e produção agrícola, praticando somente a especulação e o ócio em nome da ganância e do acúmulo de patrimônio e capitais sem nada produzir.

Terra é para quem nela trabalha e produz a riqueza da vida. Se o campo não planta, a cidade não janta!

Para o MST a palavra de ordem deverá continuar sendo: ocupar, resistir e produzir.

Com todo nosso apoio!

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