quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O MITO DO PREFEITO BOM PAGADOR

Usando a crise financeira nos municípios, muitos prefeitos ameaçaram não ter como pagar os salários do mês de dezembro em dia, gerando na base dos servidores públicos verdadeiro terrorismo psicológico diante a possibilidade de terem seus salários atrasados

Engane-se quem quiser, mas o que ficou claro é que alguns prefeitos usaram de uma estratégia de marketing para promover a imagem de “prefeito bom pagador”, ao usarem o argumento de que poderiam não ter recursos para pagar os salários dos servidores públicos dentro do mês como normalmente acontece e, nos 45 minutos do segundo tempo chegam anunciando que vão pagar depois de um esforço concentrado para garantir a façanha.

A excepcionalidade dos fatos é que muitos gestores, inclusive o de Caicó, diante tudo o que foi dito, nada mais quiseram do que construir um discurso de heróis e arautos da honestidade ao anunciarem solenemente que pagariam os salários ainda no mês, como se tal medida não fossem uma obrigação, um dever; levando alguns servidores a saudar esta atitude como um feito heroico.

Depois de passar semanas fazendo terrorismo psicológico ante a possibilidade de não ter como pagar os salários no mês de dezembro, o prefeito de Caicó Roberto Germano do PMDB anuncia em tom de vitória: “Boa Notícia! Estamos anunciando com muita alegria o pagamento dos servidores municipais de Caicó para esta quarta-feira (30) após as 14h. É nosso compromisso cumprido com o servidor, é a vitória do trabalho e da honestidade. Após um grande esforço estamos encaminhando a folha de pagamento para o banco...” disse o prefeito.

Como classificar tamanho oportunismo de prefeitos e do próprio governador do estado? Como pode gestores públicos chegar ao último pedestal do cinismo a ponto de fazer de um direito fundamental que é o de pagar salários em dia e fazerem disso uma moeda de promoção pessoal transformada em alto propaganda administrativa?

O ativista social José Procópio classificou tais atitudes da seguinte maneira: “Somos um povo trabalhador e honrado, mas, por opção ou não, governado por políticos de comportamento demagógicos e oportunistas... Isso é um desrespeito aos funcionários públicos e assédio moral. Criam um clima de terrorismo, ameaça, sofrimento e medo no funcionalismo e em seguida se apresenta como um salvador da pátria, um  detentor de milagres, produzindo psicologicamente um sentimento de favor e negação de dever.  Esse comportamento impregnou-se no tecido e na intimidade de muitos gestores públicos do estado e região Seridó, transformando-se em uma conduta administrativa, que degrada a própria dignidade da política. Espero que a sociedade potiguar e o funcionalismo público repudiem e não seja cúmplice desta vergonhosa”.

Em fim os salários estão pagos, mas 2016 a luta continua sendo por direitos e respeito ao funcionalismo municipal.

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