segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

INVISIBILIDADE QUE MARCOU O SEMIÁRIDO POR TANTO TEMPO AINDA PERSISTE COMO RANÇO DOS CORONÉIS DA COMUNICAÇÃO

O que esse silêncio nos diz? Será que o estigma da invisibilidade que marcou o semiárido por tanto tempo ainda persiste como ranço dos coronéis da comunicação que, não por coincidência, são também os coronéis da política? Historicamente, a região semiárida sempre foi vista – e retratada – pela grande mídia como um lugar pobre, inóspito, miserável.

A mídia não reconhece quando 20 mil trabalhadores e trabalhadoras do campo vão às ruas em uma postura ativa cobrar seus direitos, lutar por mais políticas públicas. Prefere sempre se deixar pautar pela estiagem, procurando cenas de gado morto e chão rachado, figuras que sempre encontram espaço privilegiado nos noticiários regionais e nacionais. Em algumas regiões do semiárido brasileiro, 2015 já se encerra como o quinto ano consecutivo de seca. Porém não foi registrada nenhuma morte em consequência da estiagem, nenhum saque e o êxodo rural não cresceu. A vida do povo do semiárido melhorou. Mas isso não é pauta na mídia comercial.

A comunicação no Brasil e no semiárido continua concentrada nas mãos de poucos grupos econômicos que ditam as pautas. Aqueles que não pertencem aos grupos hegemônicos não têm direito à voz, não expressam seus pensamentos, têm direito apenas de ouvir e ver.

Apesar desse silêncio da mídia nacional, houve algum barulho na cobertura do ato “Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos”. Barulho que consideramos aqui como as matérias publicadas pelos meios de comunicação locais, no Vale do São Francisco. Pouco mais de 50 matérias foram publicadas ou veiculadas, entre sites e portais de notícias, jornais impressos, rádios, TVs e blogs, além dos conteúdos publicados e visibilizados pelas organizações e movimentos que organizaram e estiveram presentes na mobilização. Também chama atenção o grande fluxo de conteúdos que circularam nas redes sociais sobre o ato.

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