quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

IMPEACHMENT: A ESQUERDA ALVOROÇADA, DILMA NA BERLINDA

Por professor Antônio Neves

O atual momento da vida política brasileira ver consolidada a democracia nacional reafirmada em 30 anos de democracia institucional. Na última eleição presidencial onde a atual presidenta Dilma Rouseff/PT foi reeleita numa aliança de cunho progressista derrotando o candidato Aécio Neves/PSDB e apontando para o aprofundamento de mudanças político-sociais, plano de primeira ordem do sentimento geral da nação, o povo brasileiro deu um recado firme de querer a continuidade dos avanços obtidos até então.

O debate pelas mudanças que determinou os rumos da campanha de 2014 foi orientado por segmentos populares que, mais uma vez garantiram a vitória do PT nas urnas numa das mais disputadas eleições pela presidência pós-redemocratização, mas para chegar até aqui, um conjunto de fatores e relações políticas, sociais e de poder se impuseram para que o bloco de esquerda hegemonizado pelo Partido dos Trabalhadores que ascendeu ao Planalto desde 2002 pudesse ter as garantias eleitorais para derrotar a sanha da direita que foi desbancada do poder presidencial.

Em meio à tamanha conquista, numa tática particularmente confusa e arrogante, o PT que ascendeu a Presidência da República renuncia a sua condição programática e de oposição ao velho que resistia a não sair de cena e levou parcela significativa de seus quadros, intelectuais e lideranças de base para uma nova concepção de esquerda – a esquerda governista. Condicionado aos ditames dos mercados, aos pactos da governabilidade e a muitos vícios que ainda correm nas veias da República brasileira, o Governo estatizou a militância e enquadrou o movimento sindical, fez concessões aos mercados e negligenciou as lutas por reformas de base, inclusive a política e a econômica, gerando com isso a dispersão ideológica e o distanciamento do diálogo e do debate orgânico com as bases sociais.

Diante o desafio de manter um programa de esquerda popular de cunho mudancista erguido sobre reformas políticas e estruturais profundas, Dilma logo no início do seu segundo mandato preferiu dá continuidade ao receituário do projeto neodesenvolvimentista de conciliação de classes, adequando-o aos pontos macro da sua política econômica de ajustes fiscal e retirada de direitos dos trabalhadores, consequência das imposições das alianças governamentais com os grupos conservadores dominantes que exigem a manutenção da divisão do poder, privatizando a política, concentrando a renda e excluindo o povo das grandes decisões. A esquerda de vanguarda perdeu espaço na operacionalidade das decisões, o Governo cede às chantagens do Mercado e adota a agenda neoliberal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy impondo aos trabalhadores e ao povo o ônus de uma crise de graves consequências para a retomada do desenvolvimento nacional.

Consequência de atitudes equivocadas, o transformismo do PT (partido da presidenta e há 13 anos no poder) não tem mais retorno. A aliança entre a cúpula partidária e o bloco no poder do capitalismo brasileiro e internacional na década de 2000 foi matando gradualmente o Partido como instrumento de um sonho coletivo e popular. A última convenção do PT realizada em junho de 2015, em Salvador, colocou uma “pá de cal” para alguns poucos que ainda acreditavam na possibilidade de sua refundação. A queda petista como partido e sua desmoralização orquestrada terão impactos fortíssimos para a esquerda como um todo.

Neste cenário, o que fica claro é a constatação de que, ganhamos as últimas eleições para Presidência da República, mas não consolidamos a intervenção direta da sociedade nas estruturas de poder e na democratização das suas instituições, numa ação que pudesse promover a democracia direta e popular. O que faltou ao longo dos últimos 13 anos foi uma pedagogia política popular e mudancista que pudesse ser aplicada no seio das bases sociais e das massas antes excluídas. Faltou educar politicamente as massas e convencê-las do papel a desempenhar no inevitável confronto da disputa pelo poder que não se ausentou um só momento da agenda do dia da extrema direita e que, agora, chega ao seu ponto máximo com a possibilidade de afastamento da presidenta através de processo de impeachment.

O cenário institucional do momento demonstra que Dilma poderá não concluir seu mandato, vítima da própria confusão programática que ela e os mandatários centrais do PT vêm fazendo de forma mais sistemática neste segundo mandato. A crise econômica e política se aprofundam e não há sinais em médio prazo da reversão dessa situação deletéria. A economia entrou em recessão, o desemprego aumentou e o investimento desmoronou. O PT desmoraliza-se diante das manipulações midiático-investigativo-judiciais da operação “Lava Jato” e colapsa diante de sua incapacidade de rearticular e reconstruir um projeto popular para a Nação. O Congresso Nacional (um dos mais conservadores pós Ditadura Militar) dá sinais de que irá apequenar os debates em torno do corporativismo de alguns partidos aliados e da oposição associado aos interesses mais temerosos do presidente da Câmara o peemedebista Eduardo Cunha.

A Direita e o seu projeto golpista pelo poder

Nada está mais claro neste momento do que a manipulação da direita brasileira e seus correspondentes mais diretos: PSDB/DEM/PPS e o famigerado corrupto Eduardo Cunha que, inconformados com a decisão da maioria da população, começam uma nova fase de intervenção política contra o Governo ao colocar na agenda do Parlamento o impeachment da presidenta. O que virá depois é tão incerto quanto as justificativas que tenta nos convencer da legitimidade do afastamento de Dilma.

Numa rápida análise podemos dizer que, uma vez cientes da verdade dos fatos, o povo brasileiro e os trabalhador@s não aceitarão mais o retorno às regras golpistas impostas por décadas de domínio de uma única classe - a dos patrões, oligarquias e mandatários do capital -. Nos últimos 12 anos o povo conheceu o outro lado do papel do Estado e do Governo através de políticas sociais e de distribuição de renda que proporcionaram melhorias de vida para significativa parcela da população. Agora, diante de tantas conquistas, as massas antes excluídas querem bem mais do que foi oferecido até então; querem também participar diretamente das decisões do poder, querem o aprofundamento da democracia com representação direta e não a sua criminosa interrupção.

O povo na sua mais alta condição de vanguardistas das liberdades coletivas e democráticas da nação tem deixado claro que não abre mão dos direitos conquistados. Agora, mesmo com uma grave crise na economia e a dubiedade do Governo e do PT, os brasileir@s têm dado claro recado sobre qual rumo o governo Dilma, o PT e seus aliados devem seguir. Oportunistamente a direita se apropria de momentos de fragilidade da presidenta e tenta dá o golpe final para retomar o poder, porém, os desafios da história nos mostrarão os caminhos!

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